Irã anuncia plano de segunda central nuclear em Bushehr

Nova usina funcionará ao lado da que foi construída pelos russos e começou a funcionar em setembro

TEERÃ, O Estado de S.Paulo

28 Maio 2012 | 03h05

O governo iraniano anunciou ontem seu plano de construir uma nova central nuclear em Bushehr, no sul do país, ao lado do reator que começou a funcionar em setembro, com tecnologia russa. Assim como a primeira planta, a futura central terá capacidade para gerar 1.000 megawatts de energia elétrica.

O programa atômico iraniano é fonte de grande controvérsia internacional, uma vez que potências ocidentais acusam Teerã de dirigi-lo para a fabricação de armas nucleares. O governo iraniano rejeita a acusação e assegura que a natureza de seu programa é pacífica e dedicada a suprir a crescente demanda de energia de sua população.

Ontem, os iranianos sugeriram a colocação de um novo obstáculo para que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) fiscalize as atividades nucleares do país.

Segundo a mídia estatal do Irã, a agência da ONU encarregada da supervisão nuclear ainda não apresentou as justificativas para visitar uma instalação iraniana onde existem suspeitas de que possam estar sendo desenvolvidas armas nucleares.

O complexo de Parchin está no centro da suspeita de países ocidentais de que o Irã esteja desenvolvendo bombas atômicas, apesar das repetidas negativas do governo iraniano de que tenha esse objetivo. Um relatório da AIEA divulgado na semana passada afirmou que imagens de satélite mostraram "atividades extensas" em Parchin.

Autoridades iranianas recusaram o acesso dos inspetores ao complexo, situado a sudeste de Teerã, dizendo que se trata de uma instalação militar não vinculada ao programa nuclear.

"As razões e documentos ainda não foram apresentados pela agência para nos convencer a dar permissão para essa visita", disse no fim de semana o diretor da Organização de Energia Atômica do Irã, Fereydoun Abbasi-Davani, segundo a agência iraniana de notícias Fars.

Seis potências mundiais estão negociando com representantes de Teerã para convencê-los a abrir a instalação à vistoria.

Na semana passada, durante reunião em Bagdá, os negociadores avançaram em alguns pontos, mas não conseguiram convencer o Irã a suspender sua mais sensível atividade nuclear. As partes voltarão a se reunir em junho, em Moscou, para tentar pôr fim ao impasse que elevou os temores de que uma nova guerra possa ameaçar o abastecimento mundial de petróleo.

Relatório divulgado em novembro pela AIEA afirmava que o Irã havia construído uma grande área de contenção em Parchin, em 2000, para conduzir testes nucleares o que "era um forte indicador de possível desenvolvimento de uma arma", segundo a agência. Há suspeitas ainda de que detonadores estejam sendo produzidos em Parchin.

No relatório da semana passada a AIEA não entrou em detalhes sobre as atividades que acredita estejam sendo realizada ali, mas diplomatas ocidentais suspeitam que o Irã esteja tentando remover qualquer evidência potencialmente incriminadora.

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