Atomic Energy Organization of Iran via AP
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Irã anuncia que está enriquecendo urânio a 5% em usina de Fordo

Segundo acordo assinado em 2015, Teerã teria direito de enriquecer a, no máximo, 3,67%; segundo autoridade local, país é capaz de enriquecer a porcentagens mais altas

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2019 | 11h42

TEERÃ - O Irã indicou neste sábado, 9, que atualmente está enriquecendo urânio a 5%. O anúncio veio poucos dias depois de o país ter retomado o enriquecimento em uma usina subterrânea em Fordo. A informação foi divulgada durante coletiva com o porta-voz da Organização Iraniana de Energia Atômica, Behruz Kamalvandi.

Segundo o acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano, assinado em 2015, o Irã não tem o direito de enriquecer urânio na usina de Fordo, instalação que foi mantida em segredo durante muito tempo.

O acordo de 2015 limitou o enriquecimento de urânio com isótopos 235 a um máximo de 3,67%. Desde a retomada das atividades em Fordo, as centrifugadoras tiveram sua potência aumentada e atualmente estão enriquecendo a 5%.

"Dadas as nossas necessidades, atualmente produzimos 5%", declarou Kamalvandi. Ele acrescentou que o país tem capacidade para produzir urânio enriquecido a porcentagens maiores.

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Teerã e o grupo P5+1 (EUA, Grã-Bretanha, França, Rússia, China mais Alemanha) colocaram fim ao impasse de anos sobre o programa nuclear iraniano

A taxa de 5% é inferior à de 20% de enriquecimento que o Irã chegou a produzir e está longe dos 90% necessários para a fabricação de uma bomba atômica.

O anúncio iraniano da retomada das atividades em Fordo gerou preocupação na França, Reino Unido e Alemanha, signatários do Acordo de Viena, que pediram a Teerã que reconsidere sua decisão.

A retomada do enriquecimento em Fordo é a quarta fase do plano de redução dos compromissos iranianos lançado em maio, em resposta ao restabelecimento das sanções dos Estados Unidos, que em 2018 se retirou unilateralmente do acordo internacional.

Pelo pacto assinado, Teerã se comprometia a não desenvolver armas nucleares e havia aceitado reduzir drasticamente suas atividades nucleares em troca da suspensão de parte das sanções econômicas que asfixiam sua economia.

No entanto, a situação mudou quando os Estados Unidos saíram do acordo e reativaram as sanções sobre o país. /AFP

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