Irã anuncia suspensão de enriquecimento de urânio

O presidente do Supremo Conselho de Segurança Nacional do Irã, Hasan Rowhani, anunciou nesta segunda-feira (10) a suspensão do processo de enriquecimento de urânio por parte de seu país e enviou uma carta à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) na qual aceita a realização de inspeções adicionais de suas instalações nucleares. "Perante seu governo, anuncio oficialmente que entregamos à Agência Internacional de Energia Atômica uma carta na qual aceitamos os protocolos adicionais" de inspeção, declarou Rowhani no Kremlin, durante encontro com o presidente da Rússia, Vladimir Putin. "A partir de hoje, suspendemos temporariamente nossos processos de enriquecimento de urânio." Funcionários da AIEA, uma agência subordinada à Organização das Nações Unidas (ONU) não foram encontrados imediatamente em Viena para comentar o assunto. De acordo com Rowhani, o Irã quer inspirar mais confiança junto à comunidade internacional. Putin e seu chanceler, Igor Ivanov, que conversaram separadamente com o representante iraniano, declararam-se satisfeitos com a declaração e sugeriram que ela abrirá caminho para uma cooperação nuclear mais lucrativa entre Rússia e Irã. As concessões iranianas foram amplamente antecipadas, apesar de seu cronograma ser vago. Ao escolher Moscou como local do anúncio, Rowhani amplificou o prestígio diplomático do Kremlin, que assumiu uma posição intermediária entre Washington e Teerã na disputa sobre o programa nuclear iraniano. No ano passado, a Rússia alinhou-se com os Estados Unidos ao pedir que o Irã aceitasse controles mais rígidos. Washington acusa Teerã de manter um programa secreto de armas nucleares, o que violaria o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP). Mas ao mesmo tempo em que Moscou pedia ao Irã que abrisse suas instalações aos inspetores da AIEA, o Kremlin resistia à insistente pressão da Casa Branca para congelar um acordo de US$ 800 milhões em ajuda para que o Irã construísse sua primeira usina nuclear, em Bushehr. A Rússia qualificou como insensatas as suspeitas americanas de que o Irã poderia utilizar o projeto para encobrir o desenvolvimento de armas atômicas.

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