Irã apaga evidências de testes nucleares, dizem diplomatas da AIEA

Imagens mostram operações perto do complexo de Parchin levantam suspeitas na agência

Associated Press

07 de março de 2012 | 18h49

VIENA - Imagens de satélites de um complexo nuclear de Parchin, no Irã, mostraram caminhões e tratores em operação na região, indicando que o governo está tentando apagar os traços de radioatividade possivelmente deixados por testes de armas nucleares, disseram diplomatas nesta quarta-feira, 7.

 

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Duas das fontes disseram que as equipes podem estar tentando apagar as evidencias de testes de um pequeno dispositivo acionado por nêutrons capaz de produzir uma explosão nuclear. Um terceiro diplomata não confirmou as informações, mas disse que qualquer tentativa de usar um equipamento como este em Parchin só pode estar relacionada ao desenvolvimento de armas.

 

As imagens, fornecidas pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), são recentes e atualizadas, de acordo com uma das fontes. Os três diplomatas, ligados ao órgão de fiscalização atômica das Nações Unidas, falaram sob condição de anonimato.

 

O Irã está sob intensa pressão internacional devido ao seu programa nuclear, que as potências ocidentais dizem ter fins bélicos. Teerã, porém, nega e diz que enriquece urânio apenas para alimentar seu reator de pesquisas. Por causa dos projetos atômicos, mantidos em segredo, o país persa já sofreu quatro rodadas de sanções do Conselho de Segurança da ONU.

 

A AIEA já identificou o complexo de Parchin como local suspeito, onde o Irã estaria testando armas nucleares. Em um relatório de novembro, a agência disse que foram registrados fenômenos que, aparentemente, demonstram experimentos com explosivos capazes de iniciar uma reação nuclear em cadeia.

 

Receios

 

As discussões sobre o programa nuclear iraniano voltaram à pauta da comunidade internacional nas últimas semanas, quando começou a se especular a respeito de um possível ataque de Israel - inimigo declarado do Irã - ao país persa. Os israelenses afirmaram que estão dispostos a tomar atitudes do tipo para evitar que o regime dos aiatolás obtenha acesso a armas atômicas.

 

Na terça-feira, entertanto, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, tratou de apaziguar os ânimos. Em entrevista coletiva, ele afirmou que ainda há margem para resolve a questão nuclear por meio de diplomacia e disse que seu país e Israel pagariam se agissem de forma precipitada. Washington não descartou medidas miltiares contra Teerã, mas tem evitado tocar no assunto.

 

O Irã negocia com os cinco países do Conselho de Segurança da ONU - Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Rússia e China - mais a Alemanha sobre seu programa nuclear. As conversas estão paralisadas, mas a União Europeia, que representa o grupo, já disse que aceita o convite de Teerã para retomar o diálogo. As datas entretando, não foram estabelecidas.

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