Irã aponta que pode considerar pedido de diálogo dos EUA

O governo do Irã afirmou nesta segunda-feira que está pronto para considerar qualquer pedido oficial dos Estados Unidos de dialogar com a República islâmica. A afirmação foi feita depois que aliados dos EUA pediram que o governo Bush chame o país islâmico para o diálogo, segundo informações da agência de notícias Reuters. Na noite desta segunda-feira, o primeiro-ministro britânico Tony Blair deve fazer um discurso chamando a Síria e o Irã para somarem suas forças para deter a violência no Iraque e ajudar no processo de paz no Oriente Médio. O primeiro-ministro australiano John Howard, aliado dos Estados Unidos, apoiou a fala de Tony Blair. "Se eles realmente querem conversar com o Irã, devem fazer uma proposta oficial e então o Irã vai considerá-la", afirmou Mohammad Ali Hosseini, porta-voz do Ministério dos Exteriores, segundo a Reuters. Nesta segunda-feira, o presidente George W. Bush vai se reunir com o Grupo de Estudos Sobre o Iraque para discutir o processo de paz no país. Dialogar com a Síria e com o Irã é uma das recomendações feita pelo grupo ao governo dos Estados Unidos. Entretanto, a idéia foi previamente rejeitada por Bush. O governo de Washington acusa o Irã de contribuir, com financiamentos, para a insurgência no Iraque, o que é negado pelo governo de Teerã. Gholamhossein Elham, porta-voz do governo iraniano, afirmou que seu país vai receber muito bem qualquer mudança na política norte-americana, mas não deu nenhum sinal de como e quando as conversas poderiam acontecer. "Uma mudança de 180º na política dos EUA seria um acontecimento abençoado", afirmou Elham nesta segunda-feira, segundo a Reuters. "Esperamos que os Estados Unidos reconsidere sua política, deixe a região sozinha, abandone a guerra e o apoio a grupos terroristas", apontou Elham. Os diálogos entre o Irã e os Estados Unidos sobre o Iraque poderiam ter acontecido em março de 2006, mas a idéia foi descartada pelo presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, que afirmou que as negociações não eram necessárias. Condoleezza Rice, secretária de Estado americana, deu sinais, em outubro, de que Washington deve dialogar com o Irã para discutir o programa nuclear iraniano, mas colocou como condição a suspensão do enriquecimento de Urânio por parte do governo de Teerã, pedido que o país não atendeu.

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