Irã arma debate para criticar Paulo Coelho

TEERÃ

, O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2011 | 00h00

O escritor brasileiro Paulo Coelho e suas obras foram tema de um debate realizado na segunda-feira por intelectuais iranianos, que fizeram duras críticas ao autor de O Alquimista. Coelho, cujos livros foram recentemente proibidos pelo governo do Irã, foi acusado de "tentar impor" suas opiniões de maneira disfarçada em sua obra.

Para Meghdad Hakimi, autor de Segredos do Alquimista - O que Coelho Diz?, parte do livro subestima as crenças muçulmanas. "Coelho tenta impor suas opiniões por meios simbólicos", afirmou Hakimi, de acordo com texto divulgado pela agência iraniana de notícias IBNA, especializada em literatura.

Ehsan Abbaslou, que apresentou a biografia de Coelho durante o debate, disse que o trabalho do brasileiro deve ser criticado, pois não é apenas literário e dá dicas sobre "misticismo e religião". Ainda, de acordo com a nota da IBNA, agência pró-governo, Paulo Coelho trabalharia pelo desenvolvimento da história da magia negra - segundo eles, um tema que surgiu após a 2.ª Guerra com apoio de sionistas, cristãos e da Igreja Católica.

Em seu blog, Coelho comentou o texto divulgado pela IBNA, afirmando que nada indica que a nota seja uma posição oficial do governo iraniano.

Relações Exteriores. O ministro brasileiro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, confirmou na terça-feira que pretende descobrir se os livros de Coelho, que estão entre os de maior sucesso no mundo, foram realmente censurados no Irã.

De acordo com a assessoria de imprensa do Itamaraty, o governo pretende determinar o que aconteceu e levou o escritor brasileiro a denunciar em seu blog a censura a seus livros no país islâmico.

Coelho comentou em seu blog, na segunda-feira, que seus livros são publicados no Irã desde 1998 e desde então foram vendidos mais de 6 milhões de exemplares. "Conto com o governo brasileiro para que apoie a mim e a meus livros pelos valores que admiramos", escreveu.

O autor ainda afirmou que foi comunicado da proibição de suas obras no país islâmico no domingo por seu editor iraniano. "Meus livros foram publicados sob diferentes governos no Irã. Uma decisão arbitrária, depois de 12 anos de presença no país, pode ser um mal-entendido", disse Coelho, que prometeu oferecer na internet versões eletrônicas de seus livros em farsi para que seus leitores no Irã possam baixá-los. / AP

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