Irã cita 'falta de confiança', mas vê acordo próximo

O negociador-chefe do Irã para as negociações nucleares em Genebra, Abbas Araqchi, citou "falta de confiança" e "grandes diferenças" entre o Irã e os membros permanentes do Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU) e a Alemanha, mas disse que um acordo pode ser alcançado amanhã.

AE, Agência Estado

21 de novembro de 2013 | 09h45

Araqchi, ex-vice-ministro de relações exteriores, disse em sua conta no Twitter que o Irã não assinará um acordo sobre seu programa nuclear a não ser que esses países aceitem que Teerã assegure seu direito de enriquecer urânio.

"O principal obstáculo é a falta de confiança por conta do que aconteceu na última rodada", afirmou o negociador-chefe à televisão estatal do Irã, referindo-se à apresentação de termos mais duros nos minutos finais das negociações na última rodada. "Enquanto a confiança não for restaurada, nós não podemos continuar com negociações construtivas."

Mesmo assim, Araqchi expressou a esperança de alcançar um acordo até amanhã e pediu que o outro lado da negociação seja flexível. O ministro de relações exteriores da França, Laurent Fabius, também disse esperar que um acordo seja alcançado em Genebra, mas alertou que qualquer acordo deverá atender às demandas de Paris.

Em declaração nesta manhã, o ministro de relações exteriores da França, Laurent Fabius, disse que as lideranças mundiais estão unidas em apoiar a posição dura da França. Os franceses têm incomodado as lideranças iranianas ao demandar que Teerã dê passos concretos em retroceder no programa nuclear antes de aprovar um alívio nas sanções ao país.

As exigências de Paris incluem que Irã entregue fornecimentos de urânio enriquecido a níveis próximos ao das construções de armas e que o país suspenda a construção de um reator nuclear na cidade de Arak. Autoridades dos EUA, Reino Unido, França, China, Rússia, Alemanha retomaram as negociações com o Irã ontem.

Enquanto isso, o Irã busca uma retirada das sanções lideradas pelos EUA sobre as exportações de petróleo e acesso ao sistema bancário internacional.

Araqchi afirmou que a discussão sobre o direito de enriquecer urânio está fora de questão, mas disse que o Irã está aberto a negociar o nível de enriquecimento, onde ele é conduzido e os estoques. Ontem, o aiatolá Ali Khamenei, que dá a cartada final nas decisões sobre o programa nuclear, disse que não dará "um passo atrás nos direitos da nação iraniana". Fonte: Dow Jones Newswires.

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