Irã começa a enriquecer urânio em nova instalação

O Irã deu início ao enriquecimento de urânio em uma nova instalação subterrânea bem protegida de possíveis ataques aéreos, afirmou ontem um importante jornal local, o Kayhan. Segundo o diário, que é ligado aos clérigos iranianos, o governo de Teerã começou a injetar gás urânio em centrífugas sofisticadas na instalação Fordo, perto da cidade sagrada de Qom.

DANIELLE CHAVES, Agência Estado

08 de janeiro de 2012 | 09h16

"O Kayhan recebeu informações ontem que mostram que o Irã começou o enriquecimento de urânio na instalação Fordo em meio às altas ameaças dos inimigos estrangeiros", afirmou o jornal em uma reportagem de capa. O diretor do Kayhan é um representante do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei.

No entanto, o chefe nuclear do Irã, Fereidoun Abbasi, afirmou mais tarde, ainda no sábado, que seu país vai "em breve" iniciar o enriquecimento de urânio em Fordo. Não foi possível conciliar as duas informações.

O país está sob sanções da Organização das Nações Unidas (ONU) por se recusar a parar de enriquecer urânio - um processo que pode produzir combustível nuclear e material de guerra - e por outras atividades suspeitas que a comunidade internacional teme que possam ser usadas para fabricar armas atômicas.

O governo iraniano diz que apenas quer ter reatores para geração de energia e para pesquisa e se recusa a interromper as atividades. O Irã tem uma grande instalação de enriquecimento de urânio em Natanz, no centro do país, onde quase 8 mil centrífugas estão operando. Teerã começou a enriquecer urânio em Natanz em abril de 2006.

Mas, segundo relatos, as centrífugas de Fordo são mais eficientes e o local é mais bem protegido contra ataques aéreos. Construída perto de um complexo militar, Fordo foi mantida em segredo por bastante tempo e só foi reconhecida pelo Irã depois de ser identificada por agências de inteligência ocidentais em setembro de 2009. Tanto os EUA quanto Israel não descartaram um ataque militar caso o Irã dê continuidade a seu programa de enriquecimento de urânio. As informações são da Associated Press.

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