Irã começa a julgar suspeitos de torturar manifestantes

O Irã começou hoje o julgamento de 12 suspeitos de torturar até a morte três manifestantes da oposição ao governo. Os atentados teriam ocorrido durante os tumultos após às eleições de junho de 2009, informou a agência estatal de notícias Irna.

AE-AP, Agencia Estado

09 de março de 2010 | 17h05

No ano passado, o judiciário iraniano acusou 12 funcionários da prisão de Kahrizak por envolvimento na morte de três manifestantes detidos no local em julho. A matéria da Irna não identificou nenhum dos suspeitos, dizendo que o juiz impediu que fossem divulgados detalhes do julgamento. As sessões de abertura escutarão os depoimentos e as acusações contra os homens.

Em janeiro, uma investigação parlamentar descobriu que um ex-procurador de Teerã, Saeed Mortazavi, foi responsável pela tortura e morte de três pessoas na prisão de Kahrizak. Não houve nenhuma declaração, nem nenhuma ação para punir Mortazavi até agora e, atualmente, ele comanda uma agência do governo que combate o contrabando.

A revolta contra as torturas e abusos nas prisões irrompeu em agosto passado, após figuras influentes na hierarquia clerical terem condenado os maus tratos aos detidos. A revolta forçou o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, a ordenar o fechamento imediato da prisão de Kahrizak.

A confirmação do judiciário sobre as mortes de prisioneiros se mostraram uma das mais fortes acusações contra as autoridades sobre o tratamento desumano e violento ao qual os prisioneiros foram submetidos. A oposição afirma que mais de 80 manifestantes foram mortos na repressão posterior às eleições de junho, embora o governo do Irã admita que pouco menos de 40 pessoas foram mortas.

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