Irã começa a racionar gasolina e confunde população

Programa é criado para regular a demanda interna do combustível no país

Agencia Estado

19 Junho 2007 | 11h05

O Irã iniciou nesta quinta-feira, 14, a primeira fase de um programa de racionamento de gasolina, limitando a quantidade de combustível que pode ser adquirida pelos motoristas, mas muitos iranianos ainda estão confusos sobre como e quando o racionamento total estará em vigor. Frentistas disseram estar implementando a primeira fase do racionamento, que limita o consumo de veículos do Estado a 300 litros por mês. Mas um deles admitiu não saber o que acontecerá se algum motorista desses carros quiser colocar gasolina além da cota. Apesar das suas enormes reservas energéticas, o Irã não tem capacidade de refino de petróleo para atender à demanda interna, que segundo analistas cresce 10% ao ano, aproximadamente. Fortes subsídios, que drenam os cofres públicos, deixam a gasolina tão barata que incentivam o desperdício, segundo especialistas. Embora seja o segundo maior produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), o Irã importa cerca de 40 por cento do combustível que consome - pelo menos 75 milhões de litros. A importação é um assunto delicado para o país no momento em que potências ocidentais ameaçam impor mais sanções devido ao controverso programa nuclear do Irã. Teerã diz que seu programa nuclear está voltado apenas para a geração de eletricidade. "Tivemos muitos carros do governo vindo aqui hoje (nesta quinta) de manhã para abastecer, e o racionamento começou", contou Ali Kalhor, gerente de um posto no centro de Teerã. "Ainda não sabemos o preço do combustível extra se alguém quiser." As autoridades emitem sinais conflitantes sobre quando haverá um racionamento total - alguns dizem que será a partir do dia 22. Consumo Críticos questionam se o racionamento em veículos públicos ajudará a reduzir a conta dos subsídios estatais aos combustíveis ou reduzirá o consumo. Um ex-funcionário público disse que os servidores que dirigem carros oficiais pegam reembolso do combustível, de modo que, com ou sem subsídio, é o governo que paga. "A pessoa sentada atrás do volante de um carro do governo não está preocupada com o futuro do racionamento de gasolina, porque no final, se não tiver combustível suficiente, quem será prejudicado é o governo", disse um frentista. Até agora, o governo elevou o preço da gasolina subsidiada em 25%, para 1.000 riais (cerca de R$ 0,20) o litro, o que ainda assim é um dos preços mais baixos do mundo. Para comprar qualquer combustível, os motoristas terão de apresentar um cartão eletrônico. O governo ainda não anunciou a cota para motoristas comuns quando o racionamento for pleno. Um funcionário sugeriu 90 litros por dia, quantidade que motoristas ouvidos consideraram pequena demais.

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