IRA começa a se desarmar

O Exército Republicano Irlandês (IRA) anunciou hoje que começou a se desarmar, de acordo com o plano de paz aceito por uma comissão internacional de desarmamento em agosto. O grupo ainda não informou o número de armas que serão inutilizadas nem como isso será feito. O IRA disse apenas que "adotamos o esquema" tratado com a comissão internacional liderada pelo general canadense John de Chastelain. "Testemunhamos agora um evento - que consideramos significante - em que o IRA inutilizou uma quantidade de armas" afirmou a comissão de Chastelain em um comunicado. "O material em questão inclui armas, munições e explosivos". A comissão não ofereceu maiores detalhes. David Trimble, líder do Partido Unionista do Ulster, disse que a decisão anunciada é suficientemente boa para ele encorajar seu partido a retomar seu papel no governo da Irlanda do Norte na próxima semana. "Este é o dia que havíamos dito que talvez nunca chegaria. Este é o dia que dissemos que nunca veríamos chegar - o desarmamento do IRA", disse um sorridente Trimble depois de reunir-se com o general Chastelain. "Este é um processo de paz que funciona apesar de tudo", afirmou o primeiro-ministro britânico, Tony Blair. "Estamos ainda longe de terminarmos nossa viagem, mas passamos por um marco muito significativo". O anúncio foi feito um dia depois de o presidente do partido separatista Sinn Fein, Gerry Adams, e seu vice, Martin McGuinnes, exortarem o IRA a cumprir suas promessas de desarmamento. "Nossos motivos são claros. Esta medida sem precedentes é para salvar o processo de paz e persuadir a outros sobre a sinceridade de nossas intenções", disse o IRA no comunicado. Os detalhes do acordo de desarme acertado com a comissão internacional nunca foram divulgados. Adams e McGuinnes pediram ao IRA para que iniciasse o desarme porque a resistência do grupo estava ameaçando desfazer a coalizão católica-protestante criada pelo acordo de paz de Sexta-Feira Santa, em 1998. Na semana passada, os políticos protestantes do Partido Unionista do Ulster saíram do governo, estabelecendo, desta forma, um prazo até a próxima sexta-feira para se chegar a um acordo. "O processo político está agora à beira de um colapso. Tal colapso colocaria, certamente e de uma vez por todas, em perigo o processo de paz geral", diz a nota do IRA. Em sua declaração, o grupo católico afirmou que o desarme não foi um compromisso contido no acordo de Sexta-Feira Santa. Mesmo assim, acrescentou, o tema foi utilizado "pelo sistema britânico" e os líderes protestantes da Irlanda do Norte para frustrar a mudança. O desarmamento de organizações paramilitares foi tratado como uma aspiração no acordo de paz, com a promessa feita pelos políticos de ambos os lados de atingir tal objetivo. O IRA e outras organizações ilegais não fizeram parte do acordo, que também designou o grupo de Chastelain como um agente neutro para supervisionar o processo de paz. Antes da decisão do IRA, o único grupo a entregar suas armas foi a Força Voluntária do Ulster (protestante).

Agencia Estado,

23 Outubro 2001 | 15h17

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