Irã concorda com mais supervisões da AIEA sobre programa nuclear

Decisão foi tomada após reunião entre representantes da agência da ONU e da República Islâmica

Agência Estado e Associated Press

23 de abril de 2010 | 13h00

Presidente Ahmadinejad visita usina de enriquecimento. Foto: Divulgação/Presidência do Irã

 

VIENA - O Irã concordou em conceder à agência de monitoramento nuclear da Organização das Nações Unidas (ONU) mais poder de inspeção e o direito de monitorar um local onde o país enriquece urânio em níveis mais elevados, informaram nesta sexta-feira, 23, em condição de anonimato, diplomatas iranianos. Ali Asghar Soltanieh, o enviado chefe do Irã à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), indiretamente confirmou o acordo, dizendo que os dois lados tiveram "conversações construtivas" sobre a questão.

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A medida é tomada enquanto Teerã organiza uma ofensiva com o objetivo de impedir novas sanções da ONU por causa de seu desafio às exigências do Conselho de Segurança (CS) para frear suas atividades nucleares, que podem resultar na fabricação de armas.

O Irã começou a enriquecer urânio perto de 20% dois meses atrás e disse que vai transformá-lo em barras de combustível nuclear para reatores de pesquisa para a fabricação de isótopos médicos usados no tratamento de pacientes com câncer. A AIEA tem pressionado, em vão, para ter mais acesso às operações de enriquecimento desde o início do projeto.

Os diplomatas disseram que há cerca de dez dias o Irã concordou em princípio com algumas - mas não todas - as supervisões solicitadas pela AIEA. "Eles não concordaram com todas as medidas solicitadas pela agência, mas com ações suficientes para deixar a agência feliz", depois das duras críticas recebidas nos últimos dois meses, afirmou um dos três diplomatas.

A decisão iraniana foi tomada pouco antes da visita que o ministro de Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, fará à Áustria no fim de semana, a primeira parada de uma campanha internacional com o objetivo de enfraquecer as pressões norte-americanas para novas sanções contra o país. Ele vai se reunir com seu colega austríaco Michael Spindelegger no domingo, informou o Ministério de Relações Exteriores austríaco.

 

Sanções

 

Os EUA, junto da França, do Reino Unido e da Rússia, planejam impôr sanções ao Irã. A China, porém, reluta em apoiar as medidas, que devem ser adotadas unanimemente por todas essas nações, membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU.

 

Nesta sexta, um funcionário do governo dos EUA disse que a adoção das resoluções está próxima.

"Se você olhar para onde estávamos a seis meses atrás, era muito difícil apontar qualquer ponto de concordância entre os membros permanentes do Conselho de Segurança", disse o subsecretário de Estado Willian Burns a jornalistas na Cidade do Cabo.

 

"Agora que você vê os discursos recentes da Rússia e até mesmo da China... Estamos fazendo um progresso significativo. Eu acredito que iremos produzir medidas significativas em uma resolução", disse Burns.

 

As resoluções são pretendidas pelo temor de que Teerã estaria enriquecendo urânio para produzir armas atômicas. O Irã, porém, nega e alega que seu programa nuclear tem fins pacíficos.

 

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