Kurdistan 24 Channel/AFP
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Irã condena 'ataques ilegais e agressivos' dos EUA na Síria

Na avaliação de Teerã, a ação ordenada por Biden é 'uma clara violação à soberania e à integridade territorial da Síria'; Damasco diz que agressão constitui um 'sinal de mau agouro sobre as políticas do novo governo americano'

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2021 | 18h47

TEERÃ - Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã condenou "os ataques ilegais e agressivos" de forças dos Estados Unidos em áreas no leste da Síria, na quinta-feira, 25, considerando-os uma "clara violação aos direitos humanos e à lei internacional", de acordo com a agência estatal Irna.

Na avaliação de Teerã, a ação americana é "uma clara violação à soberania e à integridade territorial da Síria". Pelo menos 22 combatentes foram mortos na ação. 

O Pentágono informou na noite de quinta-feira que bombardeou instalações na Síria, na região fronteiriça com o Iraque, que seriam usadas por milícias apoiadas pelo Irã. A operação militar, a primeira do governo Biden, foi em represália a foguetes disparados contra suas tropas e de alianos no Iraque. 

O Departamento americano da Defesa informou ter feito ataques aéreos contra um posto de controle da fronteira entre Síria e Iraque usado por esses grupos. "Múltiplas instalações" foram destruídas.

Mais cedo, o governo da Síria, país imerso em um conflito devastador há uma década, denunciou uma "agressão" que "constitui um sinal de mau agouro sobre as políticas do novo governo americano" e alertou para uma possível "escalada". 

Com este ataque, Biden enviou "uma mensagem inequívoca de que atuará para proteger os americanos", assegurou a Casa Branca.

O Departamento de Defesa afirmou que o alvo eram facções da poderosa coalizão de paramilitares iraquianos apoiados pelo Irã -  Hashed al-Shaabi, Kataeb Hezbollah e Kataeb Sayyid al-Shuhada. 

Kataeb Hezbollah, um dos grupos mais radicais, classificou os ataques como "uma agressão bárbara" e um "crime hediondo que viola o direito internacional".

Os ataques destruíram três caminhões de munições procedentes do Iraque em um posto fronteiriço ilegal ao sul da cidade síria de Bukamal, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH). 

"Pelo menos 22 combatentes da milícias iraquianas pró-iranianos foram mortos, todos membros do Hashed al-Shaabi", disse o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman, em entrevista à agência de notícias France Presse, após um primeiro balanço de 17 mortos.

Resposta a ataques

Os bombardeios se deram após três ataques com foguetes contra instalações situadas no Iraque usadas pelas forças americanas e da coalizão que lutam contra o grupo Estado Islâmico (EI).

Um desses ataques, contra um complexo militar em Erbil, capital da região curda, em 15 de fevereiro, matou um civil e um funcionário terceirizado estrangeiro que trabalhava com as forças da coalizão. Vários terceirizados americanos e um soldado ficaram feridos.

Os ataques no Iraque cometidos por grupos que estariam operando sob a direção do Irã representam um desafio para o governo Biden, em um momento que se abre a porta para a retomada das negociações com Teerã sobre seu programa nuclear. 

O atual governo americano diz que quer retomar o acordo de 2015, abandonado pelo ex-presidente Donald Trump em 2018. Ao mesmo tempo, Washington vê Teerã como uma ameaça contínua à segurança no Oriente Médio e afirma que não vai tolerar "atividades malignas" realizadas pela República Islâmica.

Os Estados Unidos suspeitam de que o Irã esteja buscando uma oportunidade para vingar o assassinato do general Qassim Suleimani, por parte das forças americanas, há um ano. 

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, afirmou nesta sexta que "enquanto for primeiro-ministro, o Irã não disporá da arma nuclear".

O ministério da Defesa iraquiano negou qualquer coordenação com Washington neste ataque.

Moscou, aliado chave do governo sírio, condenou "com firmeza essas ações". "Pedimos que se respeite, sem condições, a soberania e a integridade da Síria", afirmou a porta-voz da diplomacia russa, Maria Zakharova.  

A representante da Chancelaria afirmou que o governo da Rússia rechaça "qualquer tentativa de converter o território sírio em um teatro para ajustes geopolíticos"./AP, AFP e EFE 

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