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Irã condena cidadão americano à morte sob acusação de espionagem

Ex-fuzileiro naval dos EUA com dupla cidadania ‘confessou’ ser agente da CIA, afirma Teerã

Associated Press e Reuters

09 de janeiro de 2012 | 21h50

TEERÃ - Num novo capítulo na escalada de tensão entre Irã e EUA, a Justiça iraniana sentenciou à morte nesta segunda-feira, 9, um cidadão americano sob acusação de espionagem. Fuzileiro naval da reserva com passagem pelo Iraque e Afeganistão, Amir Mirza Hekmati tem cidadania iraniana e americana e foi acusado de "trabalhar para a CIA". Ele tinha sido preso em dezembro e, segundo Teerã, "confessou" ser espião.

 

A notícia vem à tona em meio à crescente tensão entre os dois países. O Irã tem ameaçado fechar o Estreito de Ormuz, por onde passa 40% do suprimento de petróleo do mundo. A medida seria uma resposta às sanções adotadas pelos EUA contra o programa nuclear iraniano. Na segunda, a ONU confirmou que o Irã começou a enriquecer urânio em mais uma usina.

 

Segundo o porta-voz do Judiciário de Teerã, Gholamhossein Mohseni-Ejei, o iraniano-americano "cooperou com um país hostil" e "trabalhou para a CIA". A sentença precisa ainda ser chancelada pela Suprema Corte, que sempre tem a palavra final sobre execuções no Irã.

 

Os EUA confirmaram que Hekmati, de 28 anos, servira no Corpo de Fuzileiros Navais como tradutor, mas negaram que ele seja espião ou tenha sido enviado ao Irã pela CIA.

 

‘Visita às avós’

 

Os pais de Hekmati, que vivem na cidade de Flint, no Estado de Michigan, disseram-se "chocados e apavorados" com a notícia de que o filho foi sentenciado à pena capital. Eles afirmaram que era sua primeira visita ao Irã e ele se encontraria com suas avós. A família apelou a Teerã que revogue a sentença.

 

Segundo o governo americano, a Justiça iraniana não permitiu que diplomatas suíços tivessem acesso a Hekmati antes de seu julgamento. Berna representa os interesses dos EUA desde 1980, pois Washington e Teerã romperam relações diplomáticas após a Revolução Iraniana (1979).

 

A Constituição do Irã não reconhece dupla nacionalidade. Nos EUA, há cerca de meio milhão de iranianos e descendentes de iranianos - a maior parte deles tem passaporte dos dois países. Nos termos da lei iraniana, ele foi condenado por "corrupção" e "guerrear contra Deus". O porta-voz do Judiciário de Teerã afirmou que, embora tenha confessado ser agente da CIA, Hekmati disse não querer "fazer mal" ao Irã.

 

"Amir não se envolveu em nenhum ato de espionagem ou ‘guerra contra Deus’, como o juiz que o condenou argumentou. Amir não é um criminoso. Sua vida está sendo ameaçada por motivos políticos", afirmou a mãe do iraniano-americano, Behnaz Hekmati, em um e-mail a agências de notícias.

 

Também na segunda, autoridades iranianas afirmaram ter desbaratado uma "célula de espiões americanos" que planejava fomentar distúrbios antes das eleições legislativas, marcadas para o fim de março. Analistas afirmam que o regime dos aiatolás está fechando o cerco aos opositores para preparar-se para a votação. 

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