Irã considera "positiva" suspensão de sanções dos EUA

O ministro de Relações Exteriores do Irã, Kamal Kharrazi, qualificou de "positiva" a suspensão por 90 dias das sanções dos EUA contra o Irã e frisou que seu levantamento "definitivo e total" criaria um novo clima entre os dois países. "É um passo positivo, mas é temporário", ressaltou Kharrazi, segundo a agência oficial de notícias Irna. A medida, anunciada na quarta-feira, permitirá que pessoas e empresas dos EUA enviem doações em dinheiro para os esforços de resgate e reconstrução do Irã em razão do terremoto que destruiu mais de 70% das casas da cidade histórica de Bam, situada no sudeste do país. Cerca de 30 mil corpos foram retirados dos escombros e as estimativas indicam que a cifra de mortos ficará poderá chegar a 40 ou 50 mil. Os EUA também enviaram ao Irã vários cargueiros com ajuda humanitária e uma equipe de médicos para tratar dos feridos. Além disso, o secretário americano de estado, Colin Powell, elogiou esta semana os passos positivos dados recentemente pelo governo iraniano (no caso, a assinatura de um acordo para ampla inspeção em suas instalações nucleares). Essa foi a primeira vez em que aviões americanos aterrissaram em território iraniano desde 1980, quando os dois países romperam relações diplomáticas. Logo no início de seu mandato, em 2001, o presidente dos EUA, George W. Bush, incluiu o Irã no que chamou de eixo do mal - Irã, Iraque e Coréia do Norte -, países que acusou de apoiar o terrorismo internacional. "Nós estamos avaliando o gesto positivo do governo americano e tenho certeza que a boa vontade será respondida com boa vontade (do Parlamento)", disse o deputado reformista iraniano Mohammad Reza Khatami, irmão do presidente do país, Mohammad Khatami. O influente ex-presidente iranianao Akbar Hashemi Rafsanjani comentou com jornalistas que as ações de Washington poderiam ter um impacto benéfico nas hostis relações entre os dois paísesd. "Não tenho certeza, mas os sinais indicam isso", declarou. Embora os moderados tenham maioria no Parlamento, os linha-duras do regime clerical iraniano têm o controle de instâncias de poder superiores. Supreendentemente, seis dias após o terremoto as equipes de socorro iranianas continuam localizando soterradas. Entre ontem e hoje, 11 pessoas foram resgatadas com vida dos escombros de suas casas. Hoje, foram encontrados um homem de 27 anos, uma senhora de 80 anos, cega e surda, e uma menina de 9 anos. "Pelo menos salvamos uma vida. Estive em uma guerra e em muitos conflitos e nunca me senti tão feliz", disse Ali Ashghar Namdari um funcionário do Crescente Vermelho - a entidade assistencial correspondente á Cruz Vermelha nas nações muçulmanas. Na quarta-feira as autoridades encerraram oficialmente a tarefa de resgate, concluindo não ser mais possível encontrar sobreviventes. Normalmente, um ser humano pode sobreviver até 72 horas sem água e alimentos, mas nos resgates de vítimas de terremotos sempre há situações surpeendentes. A população oficial de Bam era de 103 mil habitantes. Funcionários da ONU estimam haver em Bam agora cerca de 40 mil pessoas, na grande maioria abrigadas em barracas distribuídas pelo governo e entidades assistencialistas. Os outros 60 mil incluem agora os mortos e desaparecidos, os hospitalizados (perto de 5 mil foram levados para outras cidades) e os milhares que deixaram a região após o terremoto. A distribuição da ajuda melhorou e as autoridades intensificam o trabalho de remoção dos escombros, usando escavadeiras. Os cientistas iranianos especialistas em abalos sísmicos revisaram hoje a magnitude do terremoto, elevando-o de 6,3 para 6,8 na escala Richter.

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