Arash Khamooshi/The New York Times
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Irã convida Boeing a investigar queda de avião que matou 176

Decisão foi anunciada após líderes ocidentais afirmarem que aeronave foi atingida acidentalmente por um míssil

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de janeiro de 2020 | 03h15

A mídia estatal do Irã afirmou nesta sexta-feira, 10, que as autoridades do país convidaram a montadora Boeing a participar da investigação do acidente do avião ucraniano que caiu no Irã na última quarta-feira, 8, matando todas as 176 pessoas a bordo. 

A medida foi anunciada depois que líderes ocidentais sustentaram a hipótese de que o avião foi atingido acidentalmente por um míssil em meio às crescentes tensões entre Washington e Teerã.

A agência de notícias estatal IRNA citou um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, dizendo que o Irã "convidou a Ucrânia e a empresa Boeing a participar das investigações". O porta-voz iraniano, Abbas Mousavi, diz que também receberá especialistas de outros países cujos cidadãos morreram no acidente.

Autoridades norte-americanas, canadenses e britânicas disseram que é "altamente provável" que o Irã tenha abatido o avião civil que caiu perto de Teerã na terça-feira. Eles disseram que o ataque de mísseis de fogo poderia muito bem ter sido um erro entre lançamentos de foguetes e alta tensão em toda a região.

O acidente ocorreu apenas algumas horas depois que o Irã lançou um ataque balístico contra bases militares iraquianas que abrigavam tropas americanas, em retaliação ao ataque dos Estados Unidos que matou um general da Guarda Revolucionária iraniana. O avião poderia ter sido confundido com uma ameaça, disseram autoridades dos EUA.

O primeiro-ministro canadense Justin Trudeau, cujo país perdeu pelo menos 63 cidadãos na tragédia, disse em Ottawa: “Temos informações de várias fontes, incluindo nossos aliados e nossa própria inteligência. As evidências indicam que o avião foi abatido por um míssil iraniano de superfície para o ar'', declarou.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, e o primeiro-ministro da Austrália, Scott Morrison, fizeram declarações semelhantes. Morrison também disse que parecia ser um erro. "Toda a inteligência apresentada hoje não sugere um ato intencional", afirmou.

Mousavi disse que o Irã pede ao primeiro-ministro do Canadá e a qualquer outro governo que "forneça qualquer informação que eles tenham ao comitê de investigação".

Autoridades iranianas descartaram um ataque com mísseis, dizendo que o avião parece ter caído por causa de dificuldades técnicas. /AP

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