Irã corrige notícia crítica a Israel e indica mudança de tom com novo líder

Em um aparente sinal de novos tempos em Teerã, a equipe do presidente eleito, Hassan Rohani, corrigiu notícias de que ele havia defendido que Israel é uma "ferida a ser extirpada" do Oriente Médio. O rápido desmentido - uma aceitação indireta ao Estado israelense - surpreendeu: sob o governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad, que deixará o cargo amanhã, a retórica ultrarradical contra israelenses era constante.

TEERÃ, O Estado de S.Paulo

03 de agosto de 2013 | 02h08

A confusão sobre o que de fato disse o líder eleito de Teerã teve imediatamente repercussão internacional. Após a divulgação da primeira versão, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, afirmou que "a verdadeira face de Rohani foi revelada antes do esperado". "Mesmo que agora eles se apressem a desmentir seus comentários, é isso que o homem pensa e é esse o plano do regime iraniano", completou o premiê israelense.

A agência iraniana Mehr chegou a atribuir a seguinte frase ao presidente eleito: "Israel é uma doença no corpo do mundo islâmico e deve ser destruído". Pouco depois, a Mehr e outras agências iranianas afirmaram ter havido "um equívoco".

No entanto, um vídeo divulgado por assessores do presidente eleito mostra que, embora tenha atacado os israelenses, ele não falou as palavras "Israel", "sionistas" e "destruição", conforme noticiado em sites iranianos - que rapidamente corrigiram suas versões. Ontem, o Irã celebrou o "Dia de Al-Quds (Jerusalém, em árabe)", feriado em solidariedade aos palestinos.

Em um trecho de 55 segundos do vídeo, Rohani afirma: "Hoje é um dia em que o povo apresenta a unidade do Islã contra qualquer tipo de opressão e agressão. E há uma velha ferida no corpo do mundo islâmico, na sombra da ocupação da Terra Santa e da querida Jerusalém. Hoje é um dia para lembrar que o povo muçulmano não se esquecerá desse direito histórico e sempre se erguerá contra a opressão e a agressão".

A crítica de Rohani era, portanto, à ocupação israelense de territórios palestinos e não à existência de Israel - uma ruptura com a linha de Ahmadinejad, que defendia a extinção do Estado judeu, retórica que aumentava a pressão sobre o programa nuclear iraniano.

Único candidato fora do campo conservador na disputa presidencial iraniana, em junho, Rohani venceu no primeiro turno e tomará posse amanhã. Embora tenha laços estreitos com o líder supremo, Ali Khamenei, ele recebeu apoio de figuras de peso da oposição iraniana, incluindo os ex-presidentes Akbar Hashemi Rafsanjani e Mohamed Khatami.

Rohani tem reiterado que pretende reduzir as tensões com outros países causadas pelo presidente Ahmadinejad. Entretanto, ele defende com firmeza o sistema islâmico do Irã.

Em capitais do Oriente Médio e do Ocidente, a chegada de Rohani ao poder está sendo saudada com um avanço de Teerã na direção de uma posição mais pragmática e moderada.

Além de ter organizado uma conferência para "provar a falsificação do Holocausto", Ahmadinejad, repetidamente, afirmou que Israel deveria ser "riscado do mapa" e pertencia ao "lixo da história". Ontem, ele afirmou que "uma tempestade destruidora está a caminho e destruirá os sionistas". / NYT

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.