Irã critica mandato contra acusados de ataque na Argentina

Interpol emite ordem de prisão contra seis iranianos por ataque a um centro judaico em Buenos Aires em 1994

REUTERS

08 de novembro de 2007 | 12h52

O Irã criticou na quinta-feira a decisão da Interpol de emitir notificações pedindo a detenção de cinco iranianos acusados de envolvimento no atentado a bomba de 1994 contra um centro judaico da Argentina, no qual morreram 85 pessoas. Na quarta-feira, a assembléia geral do órgão mundial, realizada anualmente, aprovou a expedição de "Boletins Vermelhos" tentando obter a extradição dos iranianos e de um libanês devido ao ataque. O Irã negou repetidas vezes ter qualquer ligação com o atentado e responsabiliza os EUA e Israel por tentarem envolvê-lo no caso. Mohammad Ali Hosseini, porta-voz da chancelaria iraniana, disse que o Irã "condenava veementemente" a decisão da Interpol, descrita pelo país como uma "medida descabida". "Esperava-se que a Interpol não manchasse sua imagem sucumbindo ao regime sionista (Israel) e ao desejo de algumas potências dominantes", afirmou Hosseini, segundo um canal de TV do Irã. "Pressionar organizações profissionais como a Interpol para atingir objetivos políticos é algo contrário às leis internacionais e algo lamentável e totalmente inaceitável." As notificações da Interpol pedem a prisão de uma pessoa procurada com fins de extradição, mas não obrigam um país a deter os suspeitos. Segundo Hosseini, o Irã está determinado a proteger seus cidadãos. "O Irã tomará as medidas jurídicas e realizará outras manobras para conseguir o cancelamento dessas notificações e, além disso, exigirá uma indenização", afirmou Hosseini. No ano passado, a Argentina emitiu mandatos internacionais de prisão para o ex-presidente iraniano Akbar Hashemi Rafsanjani, para outros sete iranianos e para uma ex-líder do grupo guerrilheiro Hezbollah sob a acusação de planejarem o atentado. A Interpol disse, em março, que emitiria suas próprias notificações de procura-se para seis dos nove envolvidos. A polícia internacional excluiu Rafsanjani, que comanda um poderoso órgão do Irã capaz de nomear ou demitir a autoridade máxima do país, o líder supremo -- cargo ocupado atualmente por Ali Khamenei. A votação de quarta-feira foi interpretada pela Argentina como um sucesso. Hosseini declarou que o governo argentino havia sido instado a fornecer mais provas para substanciar os mandatos de prisão, coisa que não teria feito. Em agosto, como forma de retaliação, uma corte iraniana enviou intimações à Argentina em relação a cinco argentinos acusados de "ações contra a segurança da República Islâmica".

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