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Irã dá sinais ambíguos antes de negociações

Diferença de tom entre funcionários de alto escalão indica que há um debate contínuo em Teerã sobre como atuar no diálogo com o Ocidente

Alan Cowell / THE NEW YORK TIMES / LONDRES,

09 de abril de 2012 | 22h55

LONDRES - Na disputa diplomática que antecede uma retomada prevista nas negociações nucleares entre as potências globais e o Irã, um funcionário de alto escalão do governo em Teerã foi citado nesta segunda-feira, 9, sugerindo o que pareceu ser uma modesta concessão para atender parcialmente a algumas demandas do Ocidente quanto ao programa de enriquecimento de urânio iraniano.

O chanceler do regime, Ali Akbar Salehi, entretanto, teria dito que o Irã não aceitaria condições prévias à retomada das negociações. Anteriormente, Fereydoon Abbasi, diretor da Organização Iraniana de Energia Atômica, indicara que o Irã estava disposto a enriquecer urânio ao nível de 20% "apenas para atender às necessidades" de um reator de pesquisa, relatou a agência oficial Irna. Em outra reportagem, a agência Associated Press citou comentários de Abbasi segundo os quais Teerã poderia interromper a produção do combustível mais refinado após ter estocado uma quantidade suficiente do material, seguindo com o enriquecimento em níveis mais baixos para a geração de energia.

Não houve resposta imediata do Ocidente aos comentários dele. Ofertas do tipo foram encaradas com ceticismo no passado, pois o Ocidente pressiona o Irã a fazer muito mais. A aparente diferença de tom entre os comentários de Abbasi e os de Salehi pareceu refletir a existência de um debate contínuo entre a elite iraniana no sentido de como atuar nas negociações previstas. Mas não ficou imediatamente claro se os sinais ambíguos fazem parte de uma estratégia deliberada.

As negociações, que ocorrerão num momento em que o Irã enfrenta sanções econômicas cada vez mais rigorosas, devem começar nesta semana em Istambul, informou no domingo a agência oficial de notícias iraniana.

Diplomatas americanos e europeus disseram que uma das demandas do governo Barack Obama e de aliados seria a interrupção na produção de combustível físsil considerado demasiadamente semelhante ao material usado na fabricação de bombas, e também o fim da exportação dos estoques desse combustível. As potências ocidentais também apresentariam demandas pelo fechamento imediato e posterior desmantelamento da instalação nuclear subterrânea recentemente concluída, perto da cidade de Qom, disseram os diplomatas. Abbasi não fez nenhuma referência a esta demanda. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

 
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