Irã delineia propostas sobre programa nuclear

O Irã delineou novas propostas em uma reunião com seis grandes potências mundiais para reduzir seu programa nuclear em uma tentativa de amenizar as duras sanções contra o regime.

AE, Agência Estado

15 de outubro de 2013 | 08h46

As negociações desta semana ocorrem em um momento de crescentes esperanças sobre um avanço nas negociações, que se arrastam há uma década. O novo governo do Irã se comprometeu a lidar com as preocupações do Ocidente sobre suas atividades nucleares e, no mês passado, houve o contato de mais alto nível entre Teerã e os EUA desde a revolução de 1979.

Nesta terça-feira, o ministro de Relações Exteriores do Irã, Javad Zarif, fez uma apresentação de uma hora em inglês delineando ideias de Teerã, de acordo com um porta-voz da chefe de política externa da UE, Catherine Ashton. O porta-voz não quis comentar sobre detalhes da proposta.

"Viemos aqui com um senso de otimismo cauteloso. Nós acreditamos que realmente é tempo de obter resultados tangíveis", disse o porta-voz Michael Mann. "É evidente que a bola está no campo dos iranianos".

Mann afirmou que as seis grandes potências - os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha - estão dispostas a negociar "sempre e pelo tempo necessário" para conseguir um avanço nas negociações nucleares.

Após a primeira sessão de negociações na terça-feira, o vice-ministro de Relações Exteriores do Irã, Abbas Aragchi, disse que "o encontro foi muito positivo, mas vamos discutir sobre os detalhes do plano iraniano à tarde".

Ele afirmou que havia "muitas" coisas novas na proposta, mas não quis detalhá-las. O Irã insiste que seu programa nuclear é para fins civis. Já os EUA e seus aliados ocidentais temem que Teerã está tentando desenvolver armas nucleares.

As negociações, que devem continuar nesta quarta-feira, dizem respeito à primeira rodada completa de negociações desde a eleição do presidente iraniano, Hasan Rouhani, em junho. As últimas negociações formais ocorreram no Casaquistão, em abril.

No mês passado, Rouhani, considerado como um político moderado, comprometeu-se a fornecer uma transparência maior sobre o programa nuclear, mas insistiu que o Ocidente deve aceitar o direito do Irã de enriquecer urânio.

No início deste ano, as seis potências ofereceram ao Irã uma ligeira atenuação das sanções. Em troca, o Irã deveria concordar em suspender o enriquecimento de urânio a 20% de pureza - taxa considerada próxima ao grau de uso em armas - e proibir o envio da maior parte de seu urânio enriquecido para fora do país. As seis potências também pediram que o Irã pare de trabalhar em Fordow, uma instalação nuclear subterrânea perto da cidade sagrada de Qom.

Diplomatas ocidentais disseram que o Irã nunca ofereceu uma resposta séria à oferta. No fim de semana, o vice-ministro de Relações Exteriores do Irã disse que o país não enviará urânio enriquecido para o exterior, alegando que isso era um limite para Teerã.

Catherine Ashton realizou uma reunião com Zarif na segunda-feira em Genebra para preparar as negociações. A sessão de abertura das conversas nesta terça-feira foi realizada pela primeira vez em inglês. Ainda não está claro se Zarif participará diretamente nas negociações da tarde ou deixará para sua equipe.

O governo do Irã espera convencer os EUA e a União Europeia a suspender sanções comerciais, bancárias e de energia que atingiram a economia do país. Fonte: Dow Jones Newswires.

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