REUTERS/Kevin Lamarque
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Irã ameaça retomar programa nuclear caso EUA não desista de aplicar sanções

Em meio às tensões, imprensa americana noticia suposto ciberataque dos EUA contra sistema de mísseis do Irã; já o governo iraniano divulga que outro drone americano teria invadido território do Irã em maio

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2019 | 16h24
Atualizado 24 de junho de 2019 | 12h18

TEERÃ - Com a imposição de novas sanções dos EUA, em vigor a partir de segunda-feira, 24, o Irã ameaça retomar seu programa nuclear e disse que a guerra poderia se espalhar pelo Golfo Pérsico. “Nenhum país conseguirá controlar o alcance e duração de um conflito na região”, afirmou o general Gholamali Rashid, do alto comando iraniano. “Os EUA devem agir de forma responsável para proteger suas tropas.”

Nesta segunda, 24, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, está na Arábia Saudita, tentando formar o que seria uma coalizão de países para combater o Irã - o secretário confirmou um novo pacote de sanções. Pompeo também sugeriu a formação de uma força marítima internacional de proteção do Golfo.

Brian Hook, enviado especial dos EUA ao Irã, disse que manteve conversações extensas com aliados dos EUA após os ataques com petroleiros do Golfo de Omã, quando dois navios foram danificados por explosões. Ele acredita que uma coalizão global para proteger o transporte era necessária.

“Houve muitos ataques. Poderíamos ter tido um desastre ambiental e uma extensa perda de vidas devido a provocações iranianas imprudentes ”, disse ele. Hook disse que a cúpula do G20 esta semana no Japão seria um bom fórum para discussões. Até 17 países haviam sido afetados pelos recentes ataques dos petroleiros.

Diante da perspectiva de mais restrições econômicas, o governo iraniano tentou repassar parte da pressão para a União Europeia. Teerã estabeleceu o prazo de 8 de julho para que a UE encontre uma saída para driblar as sanções americanas. O chefe do Conselho Estratégico do Irã, Kamal Kharazi, prometeu “novas medidas” caso o prazo não seja cumprido. “Temos de ver nas próximas duas semanas se a UE apenas promete ou se toma medidas práticas”, afirmou Kharazi. 

O vice-chanceler do Irã, Abbas Araqchi, disse que, se os europeus não encontrarem uma saída, o país retomará o programa nuclear. “Nossa decisão de reduzir o comprometimento com o acordo nuclear é irreversível enquanto nossas demandas não forem atendidas.”

Apesar da confirmação de novas sanções, integrantes do governo americano reforçaram a disposição dos EUA para o diálogo. Pompeo afirmou que a Casa Branca está preparada “para negociar sem condições prévias”. “Eles sabem precisamente como nos encontrar”, disse o chefe da diplomacia americana. 

Em busca de articulações, o secretário de Estado dos EUA afirmou que visitará a Arábia Saudita e os Emirados Árabes para discutir a crise provocada pela derrubada de um drone americano pelo Irã, na semana passada. “Vamos encontrar uma maneira de construir uma coalizão global contra o Irã”, afirmou.

O tom adotado pelo assessor de Segurança Nacional do presidente Donald Trump, John Bolton, foi mais ameaçador. Ele alertou ao Irã para que não confunda a “prudência” dos EUA com “fraqueza”. “Nem o Irã nem qualquer outro ator hostil deve confundir a prudência e a discrição dos EUA com fraqueza”, afirmou Bolton neste domingo, antes de se reunir, em Jerusalém, com o primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu.

A nova escalada das tensões ocorreu um dia depois de a imprensa americana noticiar ataques cibernéticos desferidos pelos EUA, na quinta-feira, contra os sistemas de lançamento de mísseis e uma rede de espionagem do Irã, responsável por vigiar a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz. 

O Washington Post afirmou que os ataques, planejados há várias semanas, teriam sido propostos por militares americanos como resposta à sabotagem de petroleiros na região. O Pentágono não quis comentar o assunto.

Em mensagem no Twitter, o chanceler iraniano, Mohamed Javad Zarif, revelou neste domingo a interceptação de outra aeronave não tripulada dos EUA. Segundo ele, um drone espião americano teria invadido o espaço aéreo do país em 26 de maio. Zarif publicou o itinerário do drone e afirmou que, após três alertas, ele deixou a costa iraniana.

Em resposta, Pompeo definiu o mapa exibido por Zarif como “infantil” e acusou o Irã de “semear desinformação”. “Não deveria haver dúvidas na cabeça de ninguém sobre onde estava esse drone. Estava sobrevoando o espaço aéreo internacional.” / AFP e W. POST

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