Irã desafia Ocidente e anuncia que usinas operam com 3 mil centrífugas

Ahmadinejad diz que ampliação do programa nuclear vai prosseguir e que país não teme sanções da ONU

AP, NYT e Reuters, Teerã, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2003 | 00h00

O governo do Irã reafirmou ontem sua posição de desafio ao Ocidente ao anunciar que o país está operando 3 mil centrífugas para enriquecer urânio e a nomeação de um linha-dura como o novo comandante da Guarda Revolucionária - a força de elite acusada pelos Estados Unidos de armas insurgentes no Iraque.Os dois anúncios não implicam em mudanças significativas na política externa do país. Mas, segundo analistas, reforçam a recusa de Teerã em fazer concessões aos Estados Unidos, mesmo diante da crescente pressão de Washington sobre o programa nuclear e o papel iraniano na guerra do Iraque. O argumento iraniano de que seu programa nuclear tem fins pacíficos não convenceu as potências mundiais. Desde dezembro, o Conselho de Segurança da ONU já impôs duas listas de sanções ao país. Agora, o Irã pode sofrer mais sanções, já que principalmente os EUA acreditam que o país não tem cooperado o suficiente com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para evitar a imposição de uma terceira lista. A Casa Branca exige a suspensão do enriquecimento de urânio. AÇÃO MILITAR Apesar de insistir na diplomacia, Washington não descartou uma ação militar. O Pentágono estaria inclusive preparando um plano para liquidar o poderio militar e nuclear do Irã em apenas três dias, de acordo com Alexis Debat, um especialista em segurança nacional dos EUA citado na edição de ontem do jornal britânico The Sunday Times. O argumento defendido por militares americanos citados pelo jornal britânico é que uma ofensiva contra as instalações nucleares e também às bases militares causaria a mesma repercussão internacional que um ataque cirúrgico limitado às usinas nucleares irianianas."Eles (as potências mundiais) pensavam que a cada resolução a nação iraniana iria recuar. Mas após cada resolução apresentamos um novo sucesso nuclear", disse ontem o presidente Mahmud Ahmadinejad. "Já temos mais de 3 mil centrífugas em atividade e outras estão sendo instaladas a cada semana", acrescentou.O anúncio deve aumentar os temores do Ocidente de que o Irã está construindo uma bomba atômica. Especialistas britânicos do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos haviam afirmado que, caso os iranianos conseguissem pôr em funcionamento 3 mil centrífugas, eles poderiam construir uma bomba atômica em menos de um ano. A declaração de Ahmadinejad contradiz a AIEA, que na semana passada divulgou um relatório segundo o qual a velocidade do programa nuclear de Teerã estava diminuindo. Pelo cálculo da AIEA, o Irã tinha 1.968 centrífugas ativas, sendo que outras 650 estariam em fase de testes.No sábado, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, anunciou que o general Mohammad Ali Jafari, um conhecido linha-dura, ocuparia a chefia da Guarda Revolucionária. Ele substituirá o general Yahya Rahim Safavi, que ocupou o posto por uma década. A mudança ocorre duas semanas após Safavi afirmar que a força de elite iria reagir à ameaça de Washington de qualificá-la como terrorista.

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