Irã desafia ONU e ameaça voltar a enriquecer urânio

O Irã ameaçou retomar suas atividades de enriquecimento de urânio, se a agência da ONU encarregada de fiscalizar atividades nucleares ceder a pressões dos Estados Unidos, que acusam o governo de Teerã de buscar a criação de armas atômicas. Os EUA e outros países acusam o Irã de manter um programa secreto de armas e pressionam a ONU a impor sanções. O Irã repudia as acusações, dizendo que seu programa nuclear tem por objetivo apenas a geração de energia. ?Se a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) decidir-se sob pressão dos EUA e não investigar o dossiê do Irã sob o aspecto legal, tomaremos as decisões necessárias?, disse o presidente Mohammad Khatami. O Irã entregou à AIEA um relatório de mil páginas que alega conter ?toda a informação? de que a agência precisa para visualizar a situação no país. ?A AIEA não deve buscar pretextos (para punir o Irã)?, disse Khatami. ?O problema é pressão política. Temos certeza de que, mesmo se atendermos a todas as exigências... Os EUA ainda procurarão desculpas?. O Irã concordou, ano passado, sob pressão internacional, em suspender seu programa de enriquecimento de urânio e em aceitar inspeções intrusivas da AIEA. Hoje, porém, Khatami disse que ?a cooperação é uma via de mão dupla?, e que ?retomaremos o enriquecimento se necessário?. Em Washington, o porta-voz do Departamento de Estado, Richard Boucher, disse que os EUA ?não consideram apropriado?, da parte do Irã, ?tentar intimidar? a AIEA.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.