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Irã desafia Trump e exalta pacto nuclear

Presidente Rohani fala sobre ‘reações’ caso acordo com potências não for respeitado 

O Estado de S. Paulo

06 Dezembro 2016 | 18h30

BEIRUTE - O presidente do Irã, Hassan Rohani, disse nesta terça-feira, 6, que não deixará o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, acabar com o acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano, e alertou sobre reações não determinadas caso Washington abandone o pacto.

Durante a campanha presidencial americana, Trump afirmou que iria acabar com o pacto fechado pelos iranianos com potências mundiais, sob o qual Teerã concordou em restringir seu programa nuclear em troca de alívio de sanções. O republicano descreveu a negociação como “a pior já feita”.

“(Trump) quer fazer muitas coisas, mas nenhuma de suas ações irá nos afetar”, disse Rohani em discurso na Universidade de Teerã, transmitido ao vivo na TV estatal.

“Vocês pensam que ele pode quebrar o JCPOA (sigla em inglês para o Plano de Ação Conjunto Global)? Vocês pensam que nós e nossa nação iremos deixá-lo fazer isto?”

Analistas disseram que os comentários de Trump podem indicar uma linha mais dura dos EUA em relação ao Irã, o que pode dar espaço para o fortalecimento dos conservadores na política iraniana, incluindo rivais de Rohani.

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, alertou contra quaisquer mudanças no acordo nuclear após comentários de Trump em junho, e disse no mês passado que uma extensão de um regime de sanções dos EUA pode ser vista como uma violação do acordo.

Rohani ecoou comentários de Khamenei sobre a decisão do Congresso dos EUA, no mês passado, de aprovar uma legislação para estender o Ato de Sanções ao Irã por 10 anos e facilitar que Washington possa voltar a impor sanções caso Teerã não cumpra o acordo nuclear. 

A legislação não afeta diretamente o pacto nuclear firmado por Irã e pelas grandes potências nucleares – Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia, China – mais a Alemanha (P5+1) em julho de 2015 e em vigor desde janeiro. Alguns observadores consideram, porém, que as restrições na lei vão no sentido contrário ao espírito do acordo, que prevê uma suspensão progressiva das sanções internacionais contra o Irã, em troca de um rígido controle das atividades nucleares de Teerã por parte da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

No mês passado, o diretor da CIA, John Brennan, advertiu ao presidente eleito que seria “desastroso” e uma “loucura” deixar o acordo nuclear com o Irã e também ponderou que o rompimento ajudaria a fortalecer os políticos linha-dura no Irã. 

Entre esses políticos, estão integrantes da Guarda Revolucionária. Envolvido em vários setores de negócios, desde energia a turismo e produção de automóveis, o império da Guarda Revolucionária cresceu depois que ela investiu bilhões de dólares nos projetos que acabaram sendo abandonados pelas companhias petrolíferas ocidentais em razão das sanções impostas para frear as ambições nucleares de Teerã. / REUTERS

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