Irã descarta energia nuclear para navios e submarinos

O diretor da Organização de Energia Atômica do Irã, Fereydoon Abbasi Davani, descartou a hipótese de seu país construir navios e submarinos movidos a energia nuclear, como proposto por alguns deputados iranianos, mas ressalvou que Teerã tem a tecnologia para fazer isso no futuro, caso tome essa decisão. "Não temos planos agora nessa área, mas temos a capacidade de desenhar reatores para navios. Se for necessário e o governo assim decidir, não teremos problemas em avançar na direção desses sistemas e tecnologias", afirmou Davani, citado pela agência iraniana Isna.

AE-DJ, Agência Estado

22 de julho de 2012 | 10h52

No começo de julho, deputados iranianos apresentaram no Parlamento do país um projeto de lei determinando que o governo faça preparativos para que o Irã passe a produzir navios comerciais e submarinos movidos a energia nuclear, uma tecnologia cara e fora do alcance da maioria dos países. Davani disse que "neste momento, não temos para isso. Atualmente, a produção de urânio enriquecido a 20% está sendo feita para o reator de pesquisa de Teerã e o outro reator similar que estamos planejando construir".

Segundo o chefe da agência nuclear iraniana, "para navios, não é necessário ter o combustível enriquecido a mais de 20%; há reatores que funciona com 3,5% a 5% em navios. Mas, para submarinos, urânio mais enriquecido seria necessário".

Em fevereiro deste ano, o governo do Irã anunciou que já estava produzindo urânio enriquecido a 20% - ou seja, produzindo material do qual 20% pelo menos correspondem ao isótopo 135 de urânio, apropriado para reações nucleares em reatores de pesquisa ou de produção de energia. O governo dos EUA a princípio reagiu afirmando que Teerã não tinha alcançado essa capacidade, mas o enriquecimento a 20% foi confirmado pelos inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, da ONU).

Os EUA e seus aliados sustentam que o programa nuclear iraniano tem objetivos militares, o que o governo iraniano nega, e impuseram uma série de sanções econômicas contra o Irã, embora o enriquecimento de urânio a 90%, necessário para a construção de bombas atômicas, ainda esteja fora do alcance dos iranianos. Em 2009, o Irã propôs trocar seu urânio enriquecido a 3,5% por urânio a 20% que seria fornecido pela comunidade internacional, para abastecer o reator de pesquisa de Teerã, mas os EUA rejeitaram esse acordo.

Ainda sobre o desenvolvimento de reatores nucleares para navios e submarinos, Davani disse que caso alguma decisão sobre isso seja tomada no futuro, "nós vamos manter a necessária coordenação com a AIEA". O Irã é signatário do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, pelo qual os países membros que não têm armas atômicas se comprometem a não desenvolvê-las e os países que as possuem devem reduzir, e eventualmente eliminar, seus arsenais. O único país do Oriente Médio a ter armas nucleares é Israel, que não é signatário do tratado. As informações são da Dow Jones.

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