Irã descarta suspender programa nuclear

Apesar de ter oferecido uma breve interrupção de suas atividades de enriquecimento de urânio, o Irã ainda se recusa a fazê-lo antes do começo das negociações sobre seu programa nuclear, afirmaram funcionários nesta terça-feira. A suspensão é uma das principais demandas dos seis países que irão decidir se serão impostas sanções contra o país. Os funcionários falaram à agência de notícias Associated Press no dia em que a mesa de 35 países da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) se reune para discutir a questão nuclear do Irã, nesta terça-feira. Os funcionários, de delegações que estão a par das negociações recentes entre a União Européia e o Irã, pediram anonimao em troca de informação confidencial. As conversas entre o chefe de políticas externas da UE, Javier Solana, e o negociador-chefe da questão nuclear iraniana, Ali Larijani, realizadas neste final de semana, acabaram com a oferta de o Irã suspender o enriquecimento de urânio por até dois meses.Mas não ficou claro se Teerã estava pronto pra cumprir com essa demanda antes do início de novas conversas sobre seu programa nuclear. Teerã já está violando o prazo dado pelo Conselho de Segurança, até 31 de agosto, para suspender o enriquecimento. Além disso, as seis potências - os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança mais a Alemanha - condicionaram as negociações de forma a recompensar o Irã com incentivos políticos e econômicos se o país interrompesse o enriquecimento antes do início das negociações. As negociações dos seis países têm a intenção de persuadir o Irã a concordar em declarar a moratória de longo termo do enriquecimento. Mas Teerã afirma que não irá abrir mão de seu direito à tecnologia e conhecimento nuclear, o que inclui o enriquecimento de urânio, alegando realizá-lo para suprir futuras demandas por eletricidade. O enriquecimento de urânio pode servir de combustível para reatores, assim como para produção de arma nuclear. Ainda assim, a disposição de Teerã em considerar uma suspensão temporária é significativo, pois poderia diminuir o impasse nuclear se os seis países concordarem que os termos do Irã sobre o enriquecimento e outras condições combinadas no fim de semana em Viena forem aceitas como um começo para as negociações. Na segunda-feira, a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, não especificou se aceita os termos de Teerã, mas previu que as sanções serão impostas "se isso não funcionar". De qualquer forma, Rice sugeriu que Washington ainda quer a suspensão antes do início das conversas, ao dizer aos repórteres que "a questão é, eles estão prontos para suspender de forma verificável para que as negociações comecem"? Os EUA têm liderado a pressão sobre o Irã perante o Conselho de Segurança da ONU para que as sanções sejam impostas se o país não suspender seu programa nuclear. Inspetores da AIEA não puderam determinar quais os reais objetivos do programa nuclear iraniano, iniciado em segredo há duas décadas. O ocidente - os EUA em particular - diz que a pausa é essencial para prevenir Teerã de avançar no sentido de produzir armas nucleares, se esse for seu objetivo oculto. O Irã voluntariamente suspendeu suas atividades nucleares durante dois anos de negociações com países europeus, mas as conversas falharam ano passado sem acordo. A última oferta, que inclui conversas diretas entre o Irã e os EUA, daria em troca ajuda e benefícios políticos se o Irã atendesse as demandas dos países ocidentais.

Agencia Estado,

12 de setembro de 2006 | 10h41

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.