Irã detém irmã de vencedora do prêmio Nobel da Paz

As forças de segurança iranianas realizaram uma série de prisões hoje, avançando na ofensiva contra o movimento reformista após os protestos desta semana. Entre os detidos estão um parente do líder da oposição, Mir Hossein Mousavi, e a irmã de Shirin Ebadi, vencedora do prêmio Nobel da Paz.

AE-AP, Agencia Estado

29 de dezembro de 2009 | 14h31

"Ela foi advertida a não entrar em contato comigo", disse de Londres, Shirin, vencedora do Nobel em 2003 por seus esforços pelos direitos humanos no Irã. Ela contou que ligou para sua irmã ontem e que a irmã foi punida por causa da conversa que tiveram. "Ela foi detida por minha causa. Ela não tem atividade política ou qualquer participação em manifestações."

Noushin Ebadi, professora de medicina em Teerã, foi detida em sua casa por quatro agentes da inteligência na noite de segunda-feira e mandada para uma prisão, segundo um comunicado divulgado pela vencedora do Nobel. "É preciso lembrar que nos últimos dois meses ela foi intimada várias vezes pelo Ministério da Inteligência, que disse a ela para me persuadir a deixar minhas atividades pelos direitos humanos", diz o comunicado.

O governo também acusou países ocidentais de fomentar a violência, ameaçando "dar um tapa" no rosto da Grã-Bretanha, que convocou o embaixador em Londres para uma reunião de emergência. As novas prisões, além das fortes críticas contra os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, se somam à crescente tensão com o Ocidente, que ameaça impor novas sanções em razão do programa nuclear iraniano e tem criticado a violenta ofensiva aos protestos contra o governo em Teerã.

O Irã disse que oito pessoas morreram nos confrontos de domingo, o pior episódio de violência desde os confrontos ocorridos após as eleições presidenciais em junho. Não há relatos de violência nesta terça-feira.

O site de oposição Greenroad relata uma série de outras prisões, dentre elas o cunhado de Mousavi, Shapour Kazemi, e Mashallah Shamsolvaezin, jornalista que critica o governo com frequência. Os demais são o filho de um importante aiatolá, um repórter da agência de notícias semioficial Ilna e vários ativistas. Um sobrinho de Mousavi estava entre os mortos desta semana.

Durante uma coletiva de imprensa, o porta-voz do Ministério do Exterior, Ramin Mehmanparast, disse que os confrontos em Teerã foram realizados por uma pequena minoria e acusou países estrangeiros, dentre eles os Estados Unidos e a Grã-Bretanha de "calcular mal" ao apoiar os manifestantes.

"Alguns países ocidentais estão apoiando este tipo de atividades. Isso é intervenção em nossos assuntos internos. Condenamos fortemente essas medidas", disse ele. "Por isso, o embaixador britânico será convocado hoje."

Ele não deu maiores detalhes, mas o ministro do Exterior, Manouchehr Mottaki fez ameaças vagas contra a Grã-Bretanha. "Se este país não parar com sua tagarelice, vai receber um tapa na cara", disse ele durante uma coletiva de imprensa com seu colega somali. A citação foi colocada no site da televisão estatal.

Grã-Bretanha, França, Alemanha e os Estados Unidos criticaram a violenta resposta iraniana aos protestos. Na segunda-feira, o presidente Barack Obama elogiou "a coragem e a convicção do povo iraniano" ao mesmo tempo que em condenou o governo islâmico por atacar os manifestantes com "brutalidade de pulso de ferro".

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