Irã deve cumprir acordo de troca mesmo com sanções, diz Rússia

Chanceler russo pede que Teerã envie petição de intercâmbio de material nuclear o quanto antes

Agência Estado

20 Maio 2010 | 10h03

LONDRES - O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, disse nesta quinta-feira, 20, que o Irã deve cumprir o acordo que firmou com Brasil e Turquia mesmo que sofra novas sanções no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), informou a agência RIA Novosti.

 

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"Nós somos favoráveis a que o Irã envie a petição (sobre o acordo) à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) o mais rápido possível (...) Isso não deve ser atrapalhado pelas discussões no Conselho de Segurança", disse Lavrov, durante entrevista coletiva ao lado do ministro de Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, em Roma.

 

Pelo acordo anunciado na segunda-feira, Teerã enviará 1.200 quilos de urânio pouco enriquecido à Turquia e em troca receberá 120 quilos de combustível nuclear para seu reator de pesquisas na capital iraniana.

 

O acordo iraniano pode aumentar o controle internacional sobre o programa nuclear do país, reduzindo, em tese, a chance de haver um plano secreto para a produção de armas nucleares. Porém, potências lideradas pelos EUA afirmaram que o acordo não exclui a possibilidade de uma quarta rodada de sanções ao país. Washington e outros governos temem que o Irã busque secretamente produzir armas nucleares, o que Teerã nega.

 

Usina nuclear

 

Também nesta quinta, a Interfax informou que a primeira usina nuclear iraniana, em Bushehr, deve começar a operar em agosto. A agência atribuiu a informação a Sergei Kirienko, chefe da Agência Atômica Federal da Rússia.

 

Moscou está auxiliando o Irã nessa obra, ação que foi criticada pelos EUA em um período em que o Irã é pressionado internacionalmente para que seja mais transparente com seu programa nuclear.

 

O Irã já tem centrais de enriquecimento de urânio, mas não mantém complexos para a produção de energia nuclear.

 

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Diplomatas ocidentais disseram que o rascunho com novas sanções proibiria a Rússia de vender mísseis terra-ar S-300 a Teerã. Moscou já fechou o negócio, mas tem atrasado a entrega por pressão do Ocidente.

 

Caso o texto com novas sanções seja aprovado pelo Conselho, que tem a Rússia como um dos cinco membros permanentes e com poder de veto, o país teria que desistir do negócio. Diplomatas disseram que em geral há consenso sobre as novas sanções. As informações são da Dow Jones.

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