Ali Mohammadi/AP/IIPA
Ali Mohammadi/AP/IIPA

Irã deve disparar mísseis de longo alcance durante exercício de guerra

Marinha da República Islâmica afirma que foguetes podem atingir bases dos EUA e de Israel

Associated Press e Reuters

30 de dezembro de 2011 | 19h06

TEERÃ - O governo do Irã promete disparar neste sábado, 31, vários mísseis, incluindo os de longo alcance, durante a manobra militar que realiza no Golfo Pérsico, informou a agência oficial de notícias Fars. A demonstração de força ocorre na esteira da ameaça de Teerã de fechar o Estreito de Ormuz, interrompendo a mais importante rota de transporte petroleiro do mundo, feita na terça-feira.

 

Analistas militares afirmam que, com baterias de mísseis, frotas de embarcações de combate e minas navais em seu estoque, os iranianos poderiam dificultar bastante o tráfego das embarcações a caminho do Oceano Índico e o Mar Mediterrâneo.

 

A interdição completa de Ormuz, porém, seria difícil de ser posta em prática, mesmo que temporariamente, como alguns especialistas afirmam que seria possível. A questão para o governo de Teerã, segundo os analistas é avaliar se vale a pena pagar o alto preço que a ação militar exigiria, pois o fechamento do estreito, mesmo que por pouco tempo, prejudicaria também a economia iraniana, além da mundial.

 

A 5.ª Frota da Marinha americana, que mantém milhares de soldados no Bahrein, afirmou que não aceitará nenhuma interferência do Irã no fluxo de petróleo pela estratégica passagem marítima.

 

"A Marinha iraniana testará vários tipos de seus mísseis, incluindo seus mísseis de longo alcance, no Golfo Pérsico neste sábado (hoje)", afirmou o almirante Mahmoud Mousavi, vice-comandante da força naval de Teerã, segundo a Fars.

 

Washington já expressou preocupação sobre os mísseis do Irã, que possui o modelo Shahab-3, segundo especialistas capaz de atingir Israel e bases dos EUA no Oriente Médio, com seu alcance de 1.000 km. Com uma capacidade de atingir alvos a até 1.600 km, os mísseis Gahdr-1 também preocupam israelenses e americanos. Uma variante do Shahab-3, conhecida como Sajjil-2, das forças de Teerã, tem 2.400 km de alcance.

 

Há uma semana, a Marinha iraniana iniciou um exercício de guerra previsto para durar 10 dias, com a intenção de demonstrar sua capacidade de resposta a qualquer ataque de israelenses ou americanos. "O disparo dos mísseis é a parte final do exercício naval", afirmou Mousavi. O contra-almirante iraniano Ali Rastegari acrescentou que "mísseis de médio alcance, curto alcance e torpedos inteligentes" também serão disparados.

 

Para o analista Hossein Kazemi, "os líderes iranianos estão preocupados com (as possíveis) sanções em suas exportações de petróleo, por isso fazem tais ameaças".

 

A tensão entre o Ocidente e Teerã - expressa pelo recente anúncio de uma eventual sanção ao petróleo do Irã - elevou-se após um relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmar que o programa nuclear do país teria finalidades militares, o que os iranianos negam. Alguns analistas afirmam que sanções contra o petróleo iraniano - que, responsável por 60% da renda externa do país, é vital para sua economia - podem levar Teerã a mudar sua política nuclear. O chefe do Estado-Maior do Exército israelense, Benny Gantz, afirmou ontem que, "mediante preparações apropriadas, internacionais e israelenses, (...) esse desafio (a suposta capacidade militar atômica de Teerã) pode ser contido".

 

Política de Teerã

 

O governo do Irã bloqueou na sexta o site do o aiatolá Ali Akbar Hashemi Rafsanjani, influente ex-presidente que veiculava críticas ao regime na internet, a pouco mais de dois meses das eleições parlamentares marcadas março. Nos últimos dias, a Justiça iraniana tem sentenciado dissidentes a longas penas de prisão. 

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