Irã deve 'executar em breve' mais 9 oposicionistas

O regime iraniano deverá "executar em breve" nove pessoas presas durante protestos contra o governo em razão de elas terem tentado derrubar o regime islâmico, informou hoje a agência estatal Fars, que atribuiu a informação a um alto funcionário local, o vice-chefe do Judiciário, Ebrahim Raisi.

AE, Agencia Estado

02 de fevereiro de 2010 | 10h53

"As duas pessoas executadas e outras nove que serão em breve executadas foram sem dúvida presas em recentes distúrbios e cada uma delas estava ligada a movimentos contrarrevolucionários", afirmou Raisi, durante um encontro, ontem, na cidade sagrada de Qom. "Elas participaram em distúrbios com o objetivo de criar a desunião e derrubar o sistema", acrescentou ele.

O Irã já executou Mohammad Reza Ali Zamani, de 37 anos, e Arash Rahmani Pour, de 20 anos, na quinta-feira, sob a alegação de que eles buscavam derrubar o regime. A mídia iraniana afirmou que os dois dissidentes pertenciam ao grupo monarquista Tondar (Assembleia do Reino do Irã). Os enforcamentos foram os primeiros divulgados de pessoas julgadas por causa da onda de protestos ocorrida após a reeleição do presidente linha-dura Mahmoud Ahmadinejad, em uma contestada eleição em 12 de junho.

A oposição afirma que houve fraudes generalizadas para garantir a vitória de Ahmadinejad. As execuções causaram críticas internacionais. Na opinião da oposição iraniana, as mortes ocorreram para assustar manifestantes e evitar novos protestos. Oposicionistas planejam uma manifestação durante uma marcha anualmente respaldada pelo Estado, em 11 de fevereiro, quando o Irã marcará o 31º aniversário da Revolução Islâmica.

Os líderes oposicionistas Mir Hossein Mousavi e Mehdi Karroubi condenaram os enforcamentos. Segundo eles, a dupla enforcada havia sido detida meses antes dos protestos e aparentemente não tinha relação com a violência ocorrida após a eleição.

Já o importante aiatolá Ahmad Janati elogiou o Judiciário. "Não há espaço para clemência, mas a hora é de severidade", afirmou ele, em suas orações na sexta-feira, em Teerã. Hoje Mousavi voltou a condenar as execuções e criticou as declarações de Janati em seu site kaleme.org. As informações são da Dow Jones.

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