Irã deve garantir finalidades pacíficas de programa nuclear, diz Amorim

Chanceler também pediu 'flexibilidade' do governo iraniano e das potências nas negociações

Agência Estado

27 de abril de 2010 | 08h46

Amorim em encontro com o chanceler iraniano, Manouchehr Mottaki, em Teerã. 

 

TEERÃ - O Irã deve garantir que seu programa nuclear não tem fins militares, disse nesta terça-feira, 27, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, em visita a Teerã, onde prepara uma visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a ser realizada no meio de maio.

 

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O chanceler pediu ainda que o governo iraniano e as potências mundiais mostrem "flexibilidade" em torno de um acordo envolvendo combustível nuclear. "O Irã deve ter atividades nucleares pacíficas, mas a comunidade internacional deve receber garantias de que não haverá violação nem desvios (da tecnologia nuclear) para fins militares", disse Amorim, em entrevista coletiva, acrescentando que todas as ambiguidades em torno do programa nuclear iraniano devem ser eliminadas.

 

O chanceler brasileiro também pediu ao Irã e às potências mundiais que finalizem um acordo apoiado pela Organização das Nações Unidas (ONU) para que seja enviado combustível nuclear para o reator de pesquisas em Teerã. "Nós esperamos que esse acordo seja fechado", disse. "Esse acordo é importante e cria confiança entre o Irã e a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), mas como qualquer outra negociação deve haver flexibilidade em todos os lados."

 

Anteriormente, Amorim tinha declarado que o Brasil estava disposto a explorar a possibilidade de troca de urânio entre o Irã e a comunidade internacional se pudesse fazê-lo em seu território.

 

Mottaki, por sua vez, alertou para a necessidade da criação de um mecanismo adequado para colocar em prática a curto prazo a troca de combustível nuclear. Na segunda-feira, o presidente do Parlamento iraniano, Ali Larijani, elogiou a uma eventual mediação do Brasil na questão.

 

O chanceler iraniano também lembrou das crescentes relações entre Brasil e Irã e do crescente comércio entre os países. "Os trilhos e o trem já foram colocados, e as relações correm de forma acelerada a favor dos interesses de ambos os países. Existem boas potencialidades no âmbito do comércio e na realização de projetos", disse Mottaki.

 

O chefe da diplomacia iraniana classificou como "muito importante e influente" a participação brasileira na América Latina e também em âmbito mundial. "Vemos um horizonte realista nas relações bilaterais e nos esforçaremos a favor do fortalecimento deste horizonte que beneficiaria tanto aos dois povos quanto a todos os outros do mundo", finalizou Mottaki.

 

Celso Amorim passa dois dias em Teerã para preparar a próxima viagem ao Irã do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, prevista para 15 de maio. Segundo a agenda divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores, o chanceler ainda deve se encontrar como presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, durante a tarde.

 

Negociações

As negociações entre o Irã e as potências está paralisada. A proposta original prevê que Teerã entregue para a Rússia e a França grande parte de seu urânio para enriquecimento. Teerã tem insistido para que a troca do combustível ocorra em seu território, condição rechaçada pelas outras partes.

O Irã alega ter apenas fins pacíficos em seu programa nuclear, como a produção de energia. Já países como EUA e França suspeitam que haja também um programa nuclear secreto para produzir armas nucleares. As informações são da Dow Jones.

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