Charly Triballeau/Pool Photo via AP
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Irã prende envolvidos na queda de avião ucraniano

Presidente Hassan Rohani disse que suspeitos devem ser 'punidos'; medida tenta acalmar protestos contra regime iraniano

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2020 | 05h42
Atualizado 14 de janeiro de 2020 | 14h57

TEERÃ - O Irã anunciou, nesta terça-feira (14), que "alguns indivíduos" envolvidos na queda do avião ucraniano, que matou 176 pessoas no dia 8 de janeiro, foram presos. A justiça do país não informou quantas pessoas foram presas nem os nomes delas. O país admitiu que o avião foi abatido por engano por um míssil iraniano.

"A responsabilidade recai sobre mais do que apenas uma pessoa", declarou o presidente iraniano, Hassan Rohani. Ele disse ainda que os culpados "devem ser punidos. As forças armadas iranianas admitirem seu erro são um bom primeiro passo. Devemos garantir às pessoas que isso não acontecerá novamente", acrescentou.

O discurso de Rohani e o anúncio das prisões é uma clara tentaiva do governo iraniano de tentar diminuir as tensões no país e acalmar os protestos, que entraram no terceiro dia na segunda-feira, 13, pedindo o fim do regime dos aiatolás.

Apesar de ter apontado erros e negligência, Rohani também repetiu a declaração de que a tragédia com o avião tinha origem em agressões americanas. "Foram os EUA que criaram um ambiente agitado. Foram os EUA que criaram uma situação incomum. Foram os EUA que ameaçaram e levaram nosso amado (Soleimani)", disse Rohani. 

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Qassim Suleimani, o principal general iraniano, morreu na manhã de 3 de janeiro (2 de janeiro no Brasil), depois de um ataque aéreo americano em Bagdá, no Iraque. Em retaliação, o Irã atingiu, com mísseis, bases que abrigavam tropas americanas no Iraque.

Poucas horas depois, em um outro lançamento feito pelo Irã, um míssil atingiu o avião ucraniano, em um gesto executado "sem intenção", segundo as autoridades iranianas. A admissão de culpa pelo Irã veio depois de diversas negativas anteriores.

Entre 82 e 147 passageiros a bordo do avião, que saiu de Teerã para Kiev, na Ucrânia, tinham nacionalidade iraniana; a divergência nos números se deve ao fato de o Irã não reconhecer a dupla cidadania.

Desde a admissão de culpa pelas autoridades iranianas, o país tem vivido protestos. Vídeos circulando na internet mostram, supostamente, o momento em que forças de segurança atingem manifestantes com balas e gas lacrimogêneo.

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Filmagens de domingo (12) mostram, segundo a France Presse, pessoas feridas sendo carregadas, e encarregados de segurança foram vistos com rifles. Outras publicações mostram o batalhão de choque atacando manifestantes com cassetetes, enquanto as pessoas por perto gritavam para que não fizessem aquilo.

Entre os vídeos que circulam nas redes sociais há alguns que mostram manifestantes gritando “morte ao ditador”, em uma referência ao aiatolá Ali Khamenei. O presidente dos EUA, Donald Trump, escreveu, no Twitter, uma mensagem dizendo ao Irã para não matar manifestantes.

Nesta terça, 14, a justiça anunciou que 30 pessoas haviam sido detidas nas manifestações, mas que algumas já foram liberadas. O embaixador britânico em Teerã, Rob Macaire, também ficou detido por um breve período no sábado. /AFP e AP

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