Irã discutirá seu programa nuclear com EUA, diz jornal

Relatos sobre diálogo inédito circularam entre diplomatas, segundo o 'New York Times'; Casa Branca nega afirmação

GUSTAVO CHACRA , CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2012 | 03h03

Os EUA e o Irã chegaram a um acordo pela primeira vez para discutir ponto a ponto o programa nuclear iraniano, declarou ao New York Times um alto funcionário do governo de Barack Obama. A Casa Branca, porém, afirmou que a notícia publicada pelo jornal "não é verdadeira".

Caso a informação seja correta, esse será o maior acontecimento diplomático envolvendo o Irã nos últimos anos, alterando profundamente o cenário político no Oriente Médio e com possíveis reflexos nas eleições presidenciais americanas, no dia 6.

Segundo o jornal, o governo de Teerã insistiu para que o diálogo ocorra após a votação, pois quer saber com quem, exatamente, deverá conversar. Relatos sobre o acerto teriam circulado entre um restrito grupo de diplomatas americanos envolvidos com o Irã.

Apenas questões relacionadas à atividade nuclear de Teerã integrariam as conversas bilaterais num primeiro momento. Outros assuntos, como as crises na Síria e no Bahrein, o Hezbollah e a situação de direitos humanos no Irã não estariam na agenda.

O anúncio do diálogo ocorre a duas semanas das eleições presidenciais nos EUA e às vésperas do debate presidencial sobre política externa envolvendo o Obama e seu adversário, Mitt Romney, que ocorrerá amanhã na Flórida.

A conversa, que até ontem não tinha sido confirmada por Teerã, poderia, por um lado, beneficiar o presidente americano, pois indicaria que as sanções econômicas aplicadas pelo Ocidente estão surtindo efeito e, além disso, que EUA e Israel não precisariam levar adiante uma ação militar contra as instalações nucleares iranianas.

Romney, por sua vez, poderia argumentar que, com o diálogo, o Irã buscaria apenas ganhar tempo para seguir com seus supostos planos de desenvolver armas atômicas - ou que a conversação significaria uma vitória para o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei.

Israel, que não descarta uma ação militar contras as instalações nucleares de Teerã, não comentou o assunto. Robert Danin, do Council on Foreign Relations, afirmou no Twitter que Obama teria conversado com o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, sobre o eventual diálogo com o Irã, que nega as acusações de que seu programa nuclear tenha fins militares.

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