Irã diz à AIEA que pode comprar combustível para reator

O Irã está disposto a comprar combustível para seu reator nuclear ou trocar seu estoque de urânio pouco enriquecido por esse combustível, mas em seu próprio território. A afirmação está em uma carta do país à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), obtida hoje pela France Presse.

AE, Agencia Estado

23 de fevereiro de 2010 | 10h03

O governo iraniano tem sido pressionado por causa de seu programa nuclear. Potências ocidentais temem que o país persa busque secretamente armas nucleares, apesar de Teerã afirmar ter apenas fins pacíficos.

O Irã recebeu uma proposta internacional para que envie urânio pouco enriquecido ao exterior, recebendo em troca combustível para seu reator nuclear. Com isso, seria ampliado o controle sobre o material, diminuindo os riscos de um programa nuclear secreto.

Hoje, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China pediu mais diálogo e "flexibilidade" nas negociações com o Irã. "As partes relevantes devem ampliar os esforços diplomáticos e manter e promover o diálogo e as negociações", afirmou o porta-voz.

O enriquecimento de urânio pode ser usado tanto como combustível em reatores nucleares quanto, se refinado em porcentagens muito elevadas, para armas nucleares. O Irã discute com potências por não ter aceitado a proposta inicial de enviar urânio ao exterior para depois receber o combustível para seu reator de pesquisas, localizado em Teerã.

Usinas

O governo iraniano anunciou ontem que pretende construir mais duas plantas de enriquecimento de urânio, em uma zona protegida por montanhas, a fim de evitar eventuais ataques aéreos. Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Alemanha, Rússia e China estão envolvidos nas discussões em torno do programa nuclear iraniano.

Pequim, porém, é um aliado próximo do Irã, com muitos interesses no país, por exemplo no setor de petróleo. O governo chinês tem se recusado a apoiar novas sanções ao país no Conselho de Segurança da ONU.

O Irã já foi alvo de três rodadas de sanções por seu programa nuclear no CS. A China, porém, é um membro permanente do órgão e tem poder de veto sobre suas decisões. As informações são da Dow Jones.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.