Irã diz que coletiva de britânicos foi "montagem teatral"

O Ministério de Exteriores iraniano disse neste sábado, 7, que a entrevista coletiva dos militares britânicos que ficaram retidos no Irã, na qual estes disseram ter sofrido "constante pressão psicológica", foi uma "completa montagem teatral".Em declaração, o Ministério de Exteriores qualificou o comparecimento à imprensa dos marinheiros de "propaganda teatral" que "não pode esconder o erro" dos britânicos de ter "entrado ilegalmente" nas águas iranianas."Esses movimentos encenados não podem esconder o erro cometido pelo pessoal militar britânico, que entrou ilegalmente no território iraniano", afirma o comunicado.Além disso, a declaração do Ministério de Exteriores lamenta que os britânicos "não tenham o suficiente conhecimento da cultura islâmica e da civilização iraniana para compreender a razão de o Irã ter perdoado os militares".Os quinze militares da Marinha britânica divulgaram na sexta-feira uma declaração conjunta afirmando que sofreram "constante pressão psicológica" por parte das autoridades iranianas durante sua detenção.Em entrevista coletiva na base naval de Chivenor (sudoeste da Inglaterra), o capitão Chris Air, um dos dois soldados que leu a declaração, afirmou que o grupo estava patrulhando em águas iraquianas. A versão de Teerã sustenta que eles invadiram suas águas jurisdicionais.O capitão disse que os iranianos tinham um plano "premeditado" para proceder sua captura. Afirmaram também que ficaram com os olhos vendados e foram interrogados "na maioria das noites" dos treze dias em que estiveram detidos.O porta-voz do Ministério de Exteriores iraniano, Mohammad Ali Hosseini, disse que a entrevista coletiva foi montada para cobrir "a entrada ilegal no território iraniano"."Eles realizaram uma entrevista coletiva pré-organizada, na qual os marinheiros só leram páginas ditadas", disse, e ressaltou que fizeram declarações completamente diferentes das que realizaram no Irã, onde reconheceram ter entrado nas águas jurisdicionais iranianas e pediram desculpas por isso."A transferência imediata dos marinheiros a uma base militar, a suspeita de ordens ditadas e a coordenação da imprensa britânica e americana para divulgar ao mesmo tempo a entrevista coletiva não podem esconder os documentos e as provas da violação das águas iranianas", afirmou o porta-voz.Hosseini lamentou que o primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, "tenha escolhido a fuga para frente e justificado o erro dos marítimos", e denunciou os "métodos incorretos" do Governo de Londres para "exercer pressão sobre seus militares".

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