Irã diz que minuta de resolução da ONU tenta defender Israel

O Líbano, apoiado por Irã e Síria, rejeita proposta de resolução da ONU para encerrar o conflito. Os países alegam que a proposta é a favor do Estado judeu por não solicitar a retirada das tropas israelenses do território libanês. O ministro de relações Exteriores iraniano, Manouchehr Mottaki, criticou nesta segunda-feira a minuta de resolução do Conselho de Segurança da ONU para a suspensão dos enfrentamentos entre Hezbollah e o Exército israelense. "A resolução preparada pela França sobre a crise do Líbano é para defender o regime sionista", disse Mottaki em declarações emitidas pela televisão pública iraniana. Na inauguração de uma conferência internacional sobre a ofensiva israelense, Mottaki acrescentou que Israel "deve ser processado nos tribunais internacionais por crimes de guerra". "Nós reivindicamos o fim da invasão", afirmou o ministro, que criticou o fato de a proposta de resolução estipulada pela França e pelos Estados Unidos não exigir a retirada dos militares israelensesdo território libanês.O responsável da diplomacia de Teerã criticou também "o silêncio da comunidade internacional e das instituições internacionais", por não serem capazes de deter os ataques israelenses contra o Líbano. "Isto demonstra que as instituições internacionais carecem da capacidade necessária para criar a paz e a segurança no mundo", afirmou Mottaki, que acrescentou que o Governo de seu país apoiará o que for decidido pelo Líbano. Líbano apoiado por Irã e SíriaAparentemente, Israel estaria disposto a aceitar a resolução, mas o presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, declarou neste domingo que seu país rejeita a proposta."Todo o Líbano rejeita a minuta de resolução e exige que ela seja reconsiderada, para que haja uma harmonia com o plano de sete pontos aprovado pelo Governo libanês e suas comunidades", afirmou Berri, ementrevista coletiva em Beirute."Aceitar esta minuta de resolução significaria que as tropas israelenses poderiam seguir ocupando as zonas que já ocupam agora", concluiu.Segundo o jornal inglês Guardian, diplomatas libaneses apresentaram no domingo uma proposta de emenda solicitando que o exército israelense devolva os territórios dominados ao exército libanês. A emenda também prevê a retirada das tropas israelenses da área conhecida como Fazendas de Sheeba e a sua entrega às Nações Unidas. O embaixador do Líbano na ONU, Nouhad Mahmoud, disse que as propostas só representam "o que todos pediram" e que "não há desculpas" para não aceitá-las. Israel insiste que só se retira do país com a chegada de uma força internacional que mantenha a área de segurança.Síria e Irã, que apóiam o Hezbollah, se opõem aos termos de Washington e Paris, que pedem o fim das hostilidades.Ainda segundo o Guardian, o presidente sírio, Bashar Assad, em conversa por telefone com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse que os estados Unidos, "que sempre apoiaram o regime sionista" não têm "o direito de entrar na crise como mediador". O ministro das relações exteriores da Síria, Walid Moallem, afirmou que a resolução é "a receita para continuar a guerra".

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