Irã diz que reduzirá produção de plutônio em Arak

Declaração de chefe de energia iraniana é aparente resposta a preocupações de potências ocidentais

DUBAI, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2014 | 02h00

O Irã afirmou estar redesenhando um reator de pesquisa para reduzir drasticamente sua produção de plutônio - potencial combustível para bombas nucleares. A declaração foi dada à agência oficial Irna, na noite de quarta-feira, pelo chefe da Organização de Energia Atômica do Irã, Ali Akbar Salehi, em uma aparente resposta a uma das principais preocupações levantadas nas negociações internacionais sobre o programa nuclear iraniano.

O futuro do complexo de Arak está entre as questões que os negociadores do Irã e do grupo P5+1 (cinco membros permanentes do Conselho de Segurança - EUA, China, Rússia, França e Grã-Bretanha - mais a Alemanha) precisam resolver antes de 20 de julho, quando termina o prazo para as partes alcançarem um acordo permanente sobre o programa nuclear iraniano. Um acordo provisório está em vigor desde novembro. O Irã espera, em troca, o levantamento das sanções impostas contra o país nas últimas décadas.

Países ocidentais temem que assim que estiver em operação, Arak possa produzir suprimentos de plutônio, produto que juntamente com o urânio enriquecido pode desencadear uma explosão nuclear. Teerã assegura, por sua vez, que o reator, de 40 megawatts, destina-se a produzir isótopos para tratamento de câncer e de outras doenças. O país concordou em suspender o trabalho de instalação em Arak enquanto mantém as negociações internacionais.

Após a última rodada de diálogo em Viena, em maio, um diplomata ocidental disse que o Irã parecia ter recuado em sua disposição de aplacar os temores sobre o potencial de Arak para a produção de armas nucleares. O Irã definiu tais preocupações como "ridículas".

Em tom conciliador, Salehi explicou que a quantidade de plutônio que o reator será capaz de produzir será reduzida para menos de 1 quilo ao ano. O planejamento inicial era de 9 a 10 quilos, afirmou.

Em abril, especialistas da Universidade de Princeton avaliaram que a produção anual de plutônio em Arak poderia ser reduzida a menos de 1 quilo se o Irã mudasse a maneira como ele é abastecido.

Especialistas ocidentais afirmaram que 9 a 10 quilos seriam suficientes para a produção de uma ou duas bombas nucleares e insistiam que a capacidade de Arak deveria ser reduzida. "Atualmente estamos ocupados redesenhando esse reator para possibilitar essa alteração", garantiu Salehi.

Após discussões com representantes dos governos americano e francês em Genebra, no início da semana, o Irã questionou a viabilidade do prazo que termina em 20 de julho para um acordo definitivo.

Uma prorrogação dessa data é possível sob os termos da negociação, mas observadores internacionais acreditam que tanto o Irã quanto as potências enfrentariam pressão doméstica para que endurecessem seus termos no diálogo durante um eventual período extra. A nova rodada de negociação será realizada entre segunda e sexta-feira, em Viena. / REUTERS

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