Irã diz que responderá ameaças com ‘firmeza’

Trump prometeu novas sanções e afirmou que ‘opção militar contra o país está na mesa’

TEERÃ, Impresso

23 de junho de 2019 | 07h20

O Irã responderá com firmeza a qualquer ameaça dos Estados Unidos contra o país, afirmou ontem a agência de notícias oficial Tasnim, citando o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Abbas Mousavi. A ameaça vem depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometer novas sanções ao país e afirmar que “não descartou um ataque militar contra os iranianos”.

“Não permitiremos qualquer violação contra as fronteiras do Irã. O Irã enfrentará com firmeza qualquer agressão ou ameaça da América”, disse o porta-voz iraniano. “Atirar uma bala em direção ao Irã irá provocar a destruição dos interesses da América e de seus aliados” na região, declarou o general de brigada Abolfazl Shekarchi, porta-voz do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas iranianas em uma entrevista à agência Tasnim.

A tensão entre Teerã e Washington segue em escalada desde a última quinta-feira, quando um míssil do Irã derrubou um drone americano que teria invadido seu território. Washington alega que o equipamento estava em espaço aéreo internacional, mas o governo iraniano respondeu levando o caso à ONU.

Após o episódio da derrubada do drone na quinta-feira, o presidente Donald Trump afirmou que abortou um ataque militar para retaliar a ação de Teerã, porque considerou que a resposta americana seria "desproporcional" e poderia ter matado 150 pessoas. O chefe da Casa Branca deu sinais de que estaria aberto a negociações com Teerã.

Ontem, Trump disse que não desistiu de uma ação militar contra o Irã, e que vai impor sanções adicionais contra o país, em um esforço para impedir que Teerã obtenha armas nucleares. “Eu não quero entrar em um confronto com o Irã, mas a opção militar ainda está na mesa, e sempre estará na mesa enquanto essa situação não for resolvida”, disse Trump.

Ele também afirmou que se os iranianos desistirem de seu programa nuclear, ele se tornaria seu “melhor amigo”. “Não vamos deixar o Irã obter armas nucleares nunca e, quando aceitarem isso, terão um país rico, ficarão muito felizes e eu serei seu melhor amigo. Espero que isso aconteça”, afirmou à imprensa nos jardins da Casa Branca.

“Mas se os líderes iranianos se comportarem mal, eles terão um dia muito ruim”, acrescentou antes de embarcar num voo para a residência presidencial de Camp David, onde discutirá a crise com várias autoridades.

Um alto diplomata árabe disse à Reuters, em condição de anonimato, que o aumento das tensões na região prejudicaria ainda mais o Oriente Médio. “O confronto, independente do que se pensa sobre Trump ou Irã, será desastroso para todos”, disse o diplomata. A chanceler alemã, Angela Merkel, pediu neste sábado uma resolução política para a crise, acrescentando: “É nisso que estamos trabalhando”.

Hoje, o ministro britânico encarregado do Oriente Médio, Andrew Murrison, visitará o Irã para discutir com as autoridades as tensões crescentes no Golfo, anunciou neste sábado o ministério das Relações Exteriores. Ele “vai pedir uma desescalada urgente desta crise”./AFP, NYT e REUTERS

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