Irã diz que sentença por caso Amia ´carece de fundamento´

O porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores do Irã, Mohammad Ali Hosseini, disse neste sábado que a sentença ditada por um juiz argentino, que pediu a detenção de nove iranianos, incluindo o ex-presidente Hashemi Rafsanjani, pelo ataque contra a Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), "carece de fundamento jurídico". "Esta sentença é juridicamente carente de fundamentos e até agora não se apresentou nenhum documento que demonstre a participação do Irã (no atentado contra a Amia, em 1994, em Buenos Aires, que matou 84 pessoas)", disse Hosseini na primeira reação do Irã à sentença ditada por um juiz argentino, que pede a detenção de nove ex-autoridades iranianas. O porta-voz acrescentou que a acusação de envolvimento iraniano "foi cancelada uma vez, após a sentença ditada por um juiz inglês, e outra vez, em Berlim, com a anulação da detenção de 12 iranianos pelo conselho executivo da Interpol". Hosseini, que acusou a Justiça argentina de "corrupta", disse que no caso da Amia contra o Irã "existem muitas contradições", entre as quais destacou "a inexistência da suposta pessoa suicida, que ainda não foi identificada". "O sistema de Justiça argentino é corrupto e a corrupção do juiz foi evidente para todos", disse. Além disso, o porta-voz da diplomacia iraniana disse que "a sentença foi ditada sob a pressão do ´lobby´ sionista" e que é "de caráter político". "Este gesto (a sentença) é um complô sionista-americano com o propósito de debilitar o Irã em seu caso nuclear e também para tapar a recente derrota de Israel no Líbano", acrescentou. Hosseini disse, além disso, que o "Irã tem uma série de evidências e de documentos que oferecerá a Interpol em um futuro próximo para provar que as acusações são infundadas". "É melhor que o governo argentino não volte a seguir um caminho provado e fracassado já duas vezes", advertiu Hosseini, que mencionou que esse caminho só conseguirá "escândalos". A Justiça argentina pediu na quinta-feira passada a captura de nove iranianos, os quais acusa da autoria intelectual do atentado perpetrado há 12 anos em Buenos Aires. A lista de requeridos pelo pior atentado terrorista registrado na América Latina é liderada por Rafsanjani, que ocupava a Presidência do Irã quando, em 18 de julho de 1994, um carro-bomba explodiu na sede da Amia em Buenos Aires. Além do ex-presidente iraniano, o juiz argentino Rodolfo Canicoba Corral solicitou a detenção dos ex-ministros Ali Akbar Velayati, de Relações Exteriores, e Ali Fallahijan, de Informação e Segurança; do ex-comandante da Guarda Revolucionária Mohsen Rezaei; do ex-chefe do Serviço de Segurança do Hisbolá Imad Fayez Moughnieh, e do ex-líder das Forças Quds, Ahmad Vahidi. A Justiça também solicitou a captura do ex-embaixador do Irã em Buenos Aires, Hadi Soleimanpour, e de dois antigos funcionários dessa representação diplomática, Moshen Rabbani (conselheiro cultural) e Ahmad Reza Ashgari (terceiro secretário).

Agencia Estado,

11 Novembro 2006 | 12h47

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