REUTERS/Mahmood Hosseini
REUTERS/Mahmood Hosseini

Irã diz que testes de mísseis não violam acordo nuclear

Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores disse que os mísseis são 'armas convencionais para a defesa legítima e nenhum deles foi projetado para levar ogivas nucleares'

O Estado de S. Paulo

10 de março de 2016 | 12h53

O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou nesta quinta-feira, 10, que os testes de mísseis realizados pelo país nesta semana não violam o acordo nuclear fechado entre Teerã e as potências internacionais nem uma resolução do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas.

O porta-voz do ministério, Hossein Jaberi Ansari, afirmou que os mísseis são "instrumentos defensivos convencionais e eles são meramente para legítima defesa", segundo a agência de notícias estatal Irna. Os testes "não desafiaram a resolução do Conselho de Segurança", argumentou o funcionário.

"As armas de destruição em massa, incluídas as nucleares, não têm lugar na ideologia iraniana nem em sua doutrina de defesa. Todos os mísseis iranianos de curto, médio e longo alcance, incluídos os balísticos testados nas manobras, são armas convencionais para a defesa legítima, e nenhum deles foi projetado para levar ogivas nucleares", afirmou Jaberi em sua entrevista coletiva semanal.

Nesse sentido, o porta-voz negou as acusações feitas pela imprensa e por alguns políticos dos EUA e de Israel de que essas manobras foram uma violação ao denominado Plano Integral de Ação Conjunta (JCPOA em inglês) e das resoluções do Conselho de Segurança sobre esse assunto.

"O Irã não tomou ações militares contra ninguém, mas enfrentará qualquer ato de agressão e sob nenhum aspecto negociará sobre sua segurança e seu poder defensivo. Continuaremos com nosso completamente defensivo e legítimo programa de mísseis em cumprimento com as regulações internacionais e sem nos envolvermos no campo das ogivas nucleares nem em projetar mísseis que possam transportá-las", insistiu.

O teste foi conduzido na quarta-feira pela Guarda Revolucionária, com dois mísseis balísticos. Eles carregavam em hebreu a frase "Israel deve ser varrida do mapa" e o teste foi visto como uma mostra de poder do país muçulmano xiita, um duro adversário de Israel.

Este foi o teste mais recente de uma série que tem como objetivo mostrar a intenção iraniana de avançar com seu programa balístico. Eles provocaram críticas imediatas de políticos americanos e israelenses, assim como a preocupação do secretário de Estado americano, John Kerry.

Washington avalia se as ações do Irã violam as proibições internacionais sobre os experimentos com armas que possam levar ogivas nucleares. Mas a República Islâmica insistiu, como já fez várias vezes, que as armas são estritamente convencionais e que seu fim é dissuasório. /ASSOCIATED PRESS e EFE

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