EFE/Abedin Taherkenareh
EFE/Abedin Taherkenareh

Irã ameaça abandonar acordo nuclear se EUA ampliarem sanções

Presidente iraniano afirmou que Donald Trump mostrou ao mundo que ‘não é um bom sócio’ e rompe ‘constante e repetidamente seus compromissos’

O Estado de S.Paulo

15 Agosto 2017 | 03h19
Atualizado 15 Agosto 2017 | 08h27

TEERÃ - O Irã pode abandonar o acordo nuclear assinado com as grandes potências, caso o governo dos EUA prossiga com sua política de "sanções e coerções", ameaçou nesta terça-feira, 15, o presidente iraniano, Hassan Rohani.

Assinado em julho de 2015 entre Teerã e o grupo formado por EUA, Rússia, China, Reino Unido, França e Alemanha, o acordo prevê que o Irã limite seu programa nuclear ao uso civil em troca da retirada progressiva das sanções internacionais.

Mas a administração americana do presidente Donald Trump, hostil ao pacto concluído pelo antecessor Barack Obama, impôs uma série de sanções jurídicas e financeiras aos iranianos, por questões que não estão ligadas às atividades nucleares.

"A experiência frustrada de sanções e coerções levou as administrações anteriores à mesa de negociação", afirmou Rohani em um discurso no Parlamento, que deve votar para confirmar seu novo gabinete.

Mas se os EUA "desejam retornar a estes métodos, em um período muito curto de tempo - não semanas ou meses, e sim dias ou horas - nós voltaremos a nossa situação anterior de forma muito mais firme", completou.

O presidente iraniano, reeleito em maio para um segundo e último mandato de quatro anos, afirmou ainda que Trump mostrou ao mundo que "não é um bom sócio". "Nos últimos meses, o mundo viu que os EUA, além de romper constante e repetidamente seus compromissos no pacto nuclear, têm ignorado outros acordos globais e demonstrado a seus aliados que o país não é um bom sócio nem um um negociador confiável.”

Endurecimento

Em meados de julho, o governo americano adotou novas sanções jurídicas e financeiras contra pessoas e entidades iranianas vinculadas ao programa balístico, proibido por uma resolução da ONU, e contra a Guarda Revolucionária, o exército de elite do regime iraniano.

O Congresso dos EUA aprovou no fim de julho novas sanções contra o Irã, acusado de desenvolver seu programa balístico, violar os direitos humanos e apoiar grupos - como o Hezbollah libanês - considerados "terroristas" por Washington.

Em um contexto de endurecimento das relações entre os dois países desde a posse de Trump em janeiro, o Parlamento iraniano respondeu às sanções americanas com a aprovação de um aumento significativo dos recursos financeiros para o programa balístico do Irã e para a Guarda Revolucionária.

"Os americanos deverão saber que esta é apenas nossa primeira ação", advertiu na ocasião o presidente do Parlamento, Ali Larijani, após a aprovação das medidas que, segundo ele, pretendem "fazer frente às ações terroristas e aventureiras dos EUA na região".

Trump sempre criticou o acordo nuclear, que chama de "horrível", mas até o momento não retirou o país do pacto. Já o Irã, que não tem relações diplomáticas com os EUA desde 1980, afirma que as recentes sanções americanas representam uma "violação" do acordo, que acabou com o isolamento de Teerã no cenário internacional. / AFP

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