Irã diz ter 17 kg de urânio enriquecido a 20%

Anúncio, feito duas semanas após aprovação de novas sanções na ONU, preocupa os países que temem uma bomba nuclear iraniana

Reuters, Afp e Ap, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2010 | 00h00

TEERÃ

O chefe do programa nuclear iraniano, Ali Akbar Salehi, anunciou ontem que seu país já produziu 17 quilos de urânio enriquecido a 20%, uma prova da determinação de Teerã de seguir adiante com suas atividades nucleares, apesar da imposição de novas sanções pela ONU. Em abril, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) estimou que o país havia enriquecido 5,7 quilos de urânio a 20%.

"Temos capacidade para produzir cinco quilos por mês, mas não temos pressa", disse Salehi. "Não queremos produzir nada que não precisamos e não queremos converter toda nossa reserva de urânio para 20%. Então, produzimos urânio enriquecido em 20% segundo nossas necessidades."

As atividades iranianas de enriquecimento de urânio estão no centro de um impasse com o Ocidente, que teme que o país esteja buscando armas nucleares. Em fevereiro, o Irã começou a enriquecer urânio a 20%. A intenção seria fabricar combustível para um reator de pesquisas médicas.

Sanções. O anúncio alarmou os EUA, os países europeus, a Rússia e a China. Há duas semanas, o Conselho de Segurança da ONU aprovou um quarto pacote de sanções ao Irã. No entanto, o governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad parece ter ignorado as medidas, que atingiram diretamente o comércio e o setor militar iraniano. O governo de Teerã afirma que seu programa nuclear tem apenas fins pacíficos e seu objetivo é produzir eletricidade.

O notícia de que o Irã tem o triplo do que se calculava de urânio enriquecido a 20% causou preocupação entre americanos e europeus, que viram a medida como um passo importante na produção do tipo de urânio apto para ser usado em armas atômicas. Para isso, seria necessário o enriquecimento a 90%. No entanto, de acordo com especialistas, não é necessário um salto tecnológico muito grande entre um patamar e outro.

Espionagem. Israel lançou ontem da base aérea de Palmachim, ao sul de Tel-Aviv, um satélite espião para monitorar as atividades do Irã. "Os resultados do lançamento do satélite Ofek 9 estão sendo examinados por nossa equipe técnica", disse o ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, que evitou dar detalhes sobre a operação.

Segundo fontes do governo, o satélite é capaz de captar imagens em alta resolução, que permitiriam um controle maior do programa nuclear iraniano. O Ofek 9 é o quarto satélite espião de Israel.

PARA ENTENDER

Para obter-se combustível para um reator de energia, o urânio é enriquecido entre 3% e 5%. Para uma bomba nuclear, no entanto, é preciso enriquecê-lo a 90%, o que exige um procedimento mais sofisticado. Em abril, analistas americanos calcularam que, no ritmo atual, o Irã precisaria de 3 a 5 anos para construir uma bomba nuclear.

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