Abedin Taherkenareh/EFE
Abedin Taherkenareh/EFE

Irã diz ter desmantelado 'rede de espiões' dos Estados Unidos

Agência oficial de notícias Irna, que chamou a operação de 'um grande e profundo golpe' contra Washington num momento de grande tensão entre os dois países

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2019 | 10h52

TEERÃ - O Irã afirmou nesta terça-feira, 18, que desmantelou uma "nova rede de espiões" que trabalhava para os Estados Unidos e que teria sido enviada pela Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA). A acusação vem em meio à intensificação das tensões entre Estados Unidos e o Irã. Nesta segunda-feira, 17, Teerã afirmou que até o dia 27, as reservas de urânio enriquecido ultrapassarão as metas estipuladas pelo acordo nuclear em 2015. Os EUA, por sua vez, envio de um reforço de mil militares para o Oriente Médio, para reforçar a segurança na região após ataques a petroleiros no Estreito de Ormuz, região por onde passa 20% de todo o petróleo comercializado no mundo.

Segundo a agência oficial de notícias iranianas, a Irna, a operação foi "um grande e profundo golpe" contra Washington num momento de grande tensão entre os dois países. "Com base em informações da nossa própria inteligência e pistas coletadas sobre os serviços americanos, descobrimos recentemente novos recrutas contratados pelos americanos e desmantelamos essa nova rede", escreveu a Irna, citando uma fonte apresentada como o chefe do serviço de contra-espionagem no ministério da Inteligência.

De acordo com a Irna, alguns espiões desta rede que, segundo ela, teria sido criada pela Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA), já foram presos e levados à justiça, sem citar números ou revelar a identidade de sua fonte, mantida em segredo.

Para outras pessoas presas, uma "investigação complementar" é necessária, acrescentou a agência, segundo a qual o Irã conduziu a operação com "aliados estrangeiros".

A fonte citada pela Irna não especifica se os suspeitos presos foram detidos apenas no Irã ou em outros países. A televisão estatal iraniana dedicou nesta terça-feira um programa especial aos detalhes de uma operação de 2013 em que as autoridades do país supostamente desmantelaram outra rede da CIA.

Os confrontos entre Irã e Estados Unidos

O Irã está envolvido há meses em uma disputa com os Estados Unidos e as tensões entre os dois países aumentaram drasticamente desde maio, fazendo a comunidade internacional temer uma deflagração no Oriente Médio, onde Washington reforçou sua presença militar.

Nesta segunda, Teerã afirmou que até o dia 27, as reservas de urânio enriquecido ultrapassarão as metas estipuladas pelo acordo nuclear em 2015, o qual Donald Trump já saiu. Porém, nações europeias permanecem no texto. O aumento para o patamar de 20% facilitaria a fabricação de bombas. 

A medida é uma tentativa de ameaça às nações europeias para que não acompanhem os EUA nas sanções ao Irã. O anúncio ocorre em um momento de extrema tensão entre EUA e Irã, depois que o governo de Donald Trump acusou Teerã de atacar dois petroleiros no Estreito de Ormuz, região por onde passa 20% de todo o petróleo comercializado no mundo. Teerã nega envolvimento nos ataques.

Os Estados Unidos também anunciaram nesta segunda-feira, 17, o envio de um reforço de mil militares para o Oriente Médio, tendo como pano de fundo a intensificação das tensões com o Irã/ AFP e REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.