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JOE KLAMAR/AFP
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Irã diz ter feito nova proposta nas negociações sobre programa nuclear

Em meio ao impasse nas negociações, vice-chancheler de Teerã diz que países alcaçaram acordo sobre fim das sanções econômicas, mas cinco chanceleres deixam Viena

O Estado de S. Paulo

08 de julho de 2015 | 11h21

VIENA - O Irã ofereceu "soluções construtivas" para resolver disputas nas negociações sobre o programa nuclear iraniano com o P5+1 (China, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Rússia, mais Alemanha), disse nesta quarta-feira, 8, a agência de notícias iraniana Irna, mas autoridades ocidentais sugeriram que não tinham ouvido nada de novo de Teerã.

O Irã e as potências estão na última fase de negociações para chegar a um acordo final para acabar com um impasse de mais de 12 anos sobre o polêmico programa nuclear do país. O objetivo é firmar um compromisso que removeria sanções impostas ao Irã em troca de cortes no programa nuclear por pelo menos uma década.

"O Irã apresentou soluções construtivas para superar as diferenças remanescentes. Nós não vamos mostrar flexibilidade sobre os nossas limites", disse um diplomata iraniano, não identificado pela Irna. No entanto, autoridades ocidentais indicaram que ainda não receberam do Irã propostas que possam acabar com o impasse. 

Os principais pontos de atrito incluem questões como um embargo de armas imposto pela ONU, as sanções da ONU sobre mísseis, a velocidade na eliminação das sanções e a pesquisa e o desenvolvimento de centrífugas nucleares avançadas.

"Eu não vi nada de novo do Irã", disse à Reuters um diplomata ocidental próximo às negociações, sob condição de anonimato. Outro funcionário ocidental endossou essas declarações. 

Contradições. Apesar das contradições, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, anunciou nesta quarta um acordo para solucionar o impasse sobre o fim das sanções econômicas, que serão suspensas no "dia de início" do pacto nuclear.

Em entrevista à emissora iraniana "Press TV" em Viena, na Áustria, onde participa das negociações, Araghchi afirmou que agora só a falta a "decisão política" do P5+1 para resolver os poucos temas ainda pendentes que impedem a assinatura de um acordo definitivo.

A questão das sanções era uma das principais diferenças entre as partes nas discussões sobre o programa nuclear iraniano. "Há vários tipos de sanções, as mais importantes são as econômicas e financeiras, para as quais já temos um acordo. Elas serão suspensas no dia do início do pacto", afirmou Araghchi.

Araghchi antecipou também que o texto do acordo final já está quase terminado, particularmente os anexos que o acompanharão. "Faltam dois ou três assuntos menores por resolver", afirmou.

Incertezas. Enquanto o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, e o ministro de Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, permanecem em Viena, os chanceleres da Rússia, China, Grã-Bretanha, França e Alemanha deixaram o país, refletindo um duro impasse.

Todos os sete ministros chegaram a Viena durante os últimos dias na esperança de fechar um acordo. No entanto, a maioria decidiu ir embora depois de mais uma extensão do prazo final para o acordo. Na terça-feira, o ministro de Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, afirmou que os lados ainda não tinham chegado a um acordo em quase 10 questões.

Enquanto autoridades americanas e europeias têm indicado que estão preparadas para se afastar definitivamente das negociações se não houver um acordo em breve, o vice-chanceler iraniano indicou que, apesar de as negociações terem sido estendidas por mais três dias, a delegação iraniana está pronta para permanecer em Viena "o quanto for necessário".

A última rodada de negociações, que tinha como prazo o dia 30 de junho para chegar a um acordo, foi estendida primeiro terça-feira e, depois, até sexta-feira para que as partes reconhecessem avanços e a possibilidade real de chegar a um pacto.

Um acordo bem-sucedido poderia mudar o equilíbrio de poder no Oriente Médio e seria o maior marco em décadas para aliviar a hostilidade entre o Irã e os Estados Unidos, inimigos desde que revolucionários iranianos invadiram a embaixada dos EUA em Teerã, em 1979. / EFE, REUTERS e AP

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