Irã diz ter sido alvo de novo ataque de vírus de computador

Ciberataque teria ocorrido dez meses após outro virus infectar instalações nucleares do país

BBC Brasil, BBC

25 de abril de 2011 | 12h21

TEERÃ - Uma autoridade do Irã disse nesta segunda-feira, 25, que o país voltou a ser alvo de um ataque de vírus de computador, dez meses após seu programa nuclear ter sido supostamente alvo de um ataque semelhante.

 

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De acordo com a agência de notícias iraniana Mehr, Ghalam Reza Jalali, chefe de um órgão iraniano de defesa civil, disse que técnicos do país descobriram o "vírus espião", que está sendo chamado de Stars (Estrelas, em tradução do inglês).

Jalali disse ser "difícil destruí-lo em seus estágios iniciais já que ele pode ser confundido com arquivos do governo", mas que o dano provocado por ele até agora foi pequeno.

"Felizmente nossos jovens cientistas descobriram o vírus, que está sendo estudado", disse ele. "Os testes com o vírus continuam, já que não temos ainda os resultados finais."

Ele disse que o vírus poderia ter causado grandes acidentes, na semana passada, possivelmente com vítimas fatais, já que ele permitiria a hackers assumir o controle de grandes sistemas, como usinas nucleares.

Jalali responsabilizou os Estados Unidos e Israel pelo ataque e disse que o assunto deve ser tratado pelo Ministério das Relações Exteriores "já que muitos países, como a Rússia, consideram qualquer forma de ciberataque uma declaração de guerra".

Stuxnet

Em outubro do ano passado, cerca de três mil computadores iranianos foram atacados pelo vírus Stuxnet, inclusive na usina nuclear de Bushehr. A complexidade do Stuxnet, programa que permite o acesso remoto ao computador infectado, sugere que ele deve ter sido criado por algum governo nacional, de acordo com alguns analistas.

Acredita-se que o vírus seja o primeiro especialmente criado para atacar infraestruturas reais, como usinas hidrelétricas e fábricas. O Irã disse que o Stuxnet afetou algumas centrífugas (equipamento fundamental para a produção de combustível nuclear) na cidade de Natanz, mas o vírus teria sido neutralizado na ocasião. "A ameaça não foi completamente removida porque estas viroses têm vida própria e podem reaparecer, continuando a atuar de forma diferente", disse Jalali.

O programa nuclear do país, que Teerã diz ter fins pacíficos, é alvo de críticas e sanções da ONU, dos EUA e de países da Europa, que acusam o regime persa de buscar a bomba atômica.

 

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