Irã e agência nuclear da ONU fecham acordo para ampliar inspeções

Pacto pode impulsionar negociações entre país persa e potências ocidentais em Genebra

O Estado de S. Paulo,

11 de novembro de 2013 | 10h05

TEERÃ - O governo do Irã e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) fecharam nesta segunda-feira, 11, um acordo para ampliar as inspeções ao programa nuclear persa. O pacto, fruto de uma negociação paralela à que ocorre entre os iranianos e as potências nucleares ocidentais, pode contribuir para um acordo mais amplo, que voltará a ser discutido em Genebra, na Suíça, na semana que vem.

O "mapa do caminho" previsto no acordo fechado hoje prevê uma expansão do monitoramento da agência da ONU às instalações nucleares iranianas. Entre os novos locais que deverão ser examinados pelos inspetores estão o reator de Arak e a mina de urânio de Gachin.

O reator de Arak foi um dos pontos de discórdia que impediram um acordo entre o  Irã e as potências nucleares ocidentais no fim de semana. A França insistiu que o reator, que produz plutônio, deveria ser alvo de um controle mais rígido.

A princípio, o plutônio do reator - formado a partir da fissão nuclear do urânio - pode ser usado para desenvolver armas atômicas, mas para isso seria necessária uma tecnologia de filtragem desse elemento radioativo que o Irã ainda não possui.

"As medidas práticas serão implementadas nos próximos três meses", disse o diretor-geral da AIEA, Yukia Amano.

Negociações. Mais cedo, o  ministro das Relações Exteriores francês, Laurent Fabius, disse que um acordo entre o Irã e o chamado grupo P5+1, composto pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Rússia, China, Grã-Bretanha e França) mais a Alemanha, ainda é possível.

Alguns diplomatas acusaram a França de arrogância durante as conversações em Genebra no fim de semana, algo que Fabius negou, dizendo que Paris não estava isolada, mas teve uma política externa independente.

"Estamos firmes, mas não rígidos. Nós queremos paz, e nós queremos chegar ao final", afirmou. "Tenho esperança de que vamos chegar a um bom acordo. Queremos um acordo que garanta estabilidade regional e internacional", disse Fabius. "Se não chegarmos a um acordo, será um problema considerável em poucos meses."

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, disse por sua vez que os Estados Unidos "não estão numa corrida" para concluir as negociações com o Irã sobre o programa nuclear da República Islâmica.

Em entrevista coletiva ao lado do chanceler dos Emirados Árabes Unidos, xeique Abdullah bin Zayed al-Nahayan, em Abu Dhabi, Kerry disse que Washington vai defender seus aliados e não colocará em risco os laços com parceiros árabes.

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