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Irã e Coreia armaram rebeldes xiitas do Iêmen

Mísseis que os houthis têm disparado contra a Arábia Saudita são versões modernizadas dos antigos Scuds, produzidos na ex-URSS

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

09 Novembro 2017 | 05h00

Os mísseis pesados que há dois anos os rebeldes houthis, do Iêmen, disparam contra a Arábia Saudita são fornecidos pelo Irã e pela Coreia do Norte. Alguns passaram por modernização no país, um dos mais pobres do mundo, com crescimento negativo do PIB da ordem de 9,8%.

No ataque mais recente, há quatro dias, um Burkan 2-H foi interceptado pela defesa aérea de Riad quando iniciava a trajetória final sobre o aeroporto internacional. São versões avançadas de antigos modelos Scud, produzidos na extinta União Soviética e modificados ao longo do tempo.

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O longo caminho até o arsenal dos houthis começa em 1990, quando a Coreia do Norte apresenta o Hwasong-6 – um derivado direto dos Scud das séries C e D. Com alcance na faixa dos 500 km, o míssil de 11,25 metros e um só estágio adota um novo sistema de guiagem, mais preciso, e pode levar uma ogiva de até 770 kg.

Até 1999, foram fabricados de 600 a 1.000 unidades – mais da metade permanece em poder do regime de Pyongyang. As exportações, segundo o Instituto de Estudos da Paz de Estocolmo (Sipri), cobriram a entrega de um lote de tamanho desconhecido para o Irã, onde a indústria local transformou o foguete balístico no Shahab-2, variante local. 

Outro pacote, de 150 mísseis, chegou à Síria em vários despachos até 1996. A capacidade dessa configuração foi expandida com a ajuda de especialistas da China – que nega qualquer envolvimento no processo. A Líbia comprou 5 e, finalmente, em agosto de 2002, desembarcam no Porto de Hodeida, em sucessivas operações noturnas, 45 Hwasong-6, transportados clandestinamente em navios iemenitas, ou sob bandeiras de países como da Somália, em meio a cargas regulares ou disfarçados entre suprimentos de ajuda humanitária, segundo relatório de uma ONG norueguesa.

O comando das forças rebeldes que ocupam a capital, Sanaa, e o restrito distrito industrial do Iêmen, fez um trabalho de engenharia reversa nos mísseis norte-coreanos e, em 2015, nos “vetores de outras fontes”, como disse o líder Saleh al-Sammad em uma reunião da Comissão Revolucionária de 2016.

A menção é interpretada como indicadora de uma linha de suprimentos a partir do Irã por meio da qual seriam entregues munições, explosivos e os poderosos Shahab-2. Na comunidade de analistas internacionais não há certezas quanto a origem da equipe que faz as transformações nos mísseis iemenitas.

Na comunidade de analistas internacionais não há certezas quanto a origem da equipe que realiza as transformações nos mísseis iemenitas. Seriam voluntários da Ásia e do Oriente Médio, sustenta o Centro de Estudos de Georgetown, dando apoio a pessoal próprio, treinado na Europa para outras funções antes da luta iniciada em 2015. O trabalho tem tido resultados. Um deles é o míssil Qaher-M2, com 400 km de raio de ação, 310 kg de carga explosiva e índice de erro estimado em apenas 50 metros.

 

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