Irã e Paquistão protestam contra condecoração de Rushdie

Para Teerã, homenagem é exemplo de antiislamismo e insulto do governo britânico

Agencia Estado

21 Junho 2007 | 13h09

A decisão da rainha Elizabeth 2ª de nomear o escritor Salman Rushdie cavaleiro da Coroa britânica gerou protestos no Irã e no Paquistão.O ministério das Relações Exteriores do Irã convocou na terça-feira, 19, o embaixador britânico em Teerã, Geoffrey Adams, para informar que o governo do país considerou a decisão da rainha um ato de provocação.O embaixador argumentou que a decisão foi tomada apenas considerando os serviços prestados por Rushdie à literatura.No Paquistão, o enviado britânico para o país, o alto comissário Robert Brinkley, expressou "grande preocupação" com os comentários de um ministro paquistanês.As declarações do ministro dos Assuntos Religiosos do Paquistão, Mohammad Ejaz uh-Haq, foram consideradas um incentivo a atentados suicidas. Ao comentar a nomeação de Rushdie, o ministro disse que "se alguém comete um atentado suicida para proteger a honra do profeta Maomé, seu ato é justificado".Salman Rushdie foi condecorado pela rainha Elizabeth 2ª na semana passada. Brinkley negou que a nomeação do escritor tenha sido uma tentativa de insultar o Islã.O livro Os Versos Satânicos, escrito por Rushdie, provocou polêmica no mundo islâmico em 1989. Um fatwa (decreto) do Irã pediu a morte do escritor.Relações tensas Brinkley foi convidado na terça para uma reunião no Ministério das Relações Exteriores do Paquistão, na capital Islamabad.Um porta-voz do enviado britânico disse que Brinkley "deixou clara a grande preocupação sobre o que o ministro para assuntos religiosos supostamente falou"."O governo britânico é bastante claro ao declarar que nada pode justificar um atentado suicida", afirmou o porta-voz. Uma porta-voz do governo paquistanês afirmou que Brinkley foi convidado para que o país expressasse "a total falta de sensibilidade" da Reino Unido ao condecorar Salman Rushdie.Brinkley disse que o encontro serviu para os dois países buscarem um entendimento mútuo. A correspondente da BBC em Islamabad, Barbara Plett, afirma que a disputa diplomática é tensa, mas que, por enquanto, está restrita a círculos oficiais.´Cadáver odiado´ O Parlamento do Paquistão aprovou uma resolução na segunda-feira em que manifestou condenação à condecoração. Alguns manifestantes foram às ruas protestar, mas em pequenos números. Conservadores iranianos criticaram a decisão da rainha Elizabeth 2ª de condecorar o escritor. "Salman Rushdie tornou-se um cadáver odiado que não pode ser ressuscitado por nenhuma ação", afirmou o parlamentar Mohammad Reza Bahonar."Esta ação da rainha britânica de condecorar Salman Rushdie, o apóstata, não é uma decisão sábia."

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