Irã e potências da ONU avançam em pacto nuclear

Reunião de Bagdá relaxa tensão entre ambas as partes e pode amenizar sanções a Teerã em troca da redução do enriquecimento de urânio

BAGDÁ, O Estado de S.Paulo

24 Maio 2012 | 03h09

O grupo P5+1, composto por EUA, Grã-Bretanha, França, Rússia, China e Alemanha, começou ontem em Bagdá a negociar com o Irã o futuro do programa nuclear iraniano. As potências fizeram uma proposta "interessante", segundo Catherine Ashton, chanceler da União Europeia, e ouviram um contraproposta de Teerã - nenhum detalhe da negociação foi divulgado.

O único aspecto da proposta revelado ontem foi um pedido do P5+1 para que o Irã reduza o enriquecimento de urânio de 20% para 5% em troca de um alívio nas sanções internacionais contra o país.

"O enriquecimento de urânio a 20% é claramente uma preocupação significativa da comunidade internacional", disse Michael Mann, porta-voz de Ashton, que representa o P5+1. "Não vou revelar mais detalhes das propostas, mas o que nós colocamos na mesa é interessante para o Irã."

Mann, porém, descartou a possibilidade de obter um acordo final imediatamente. "Nós podemos fazer progressos. Esse é o segundo passo de uma série de negociações. Esperamos avançar, mas essas coisas não podem ser resolvidas do dia para a noite", disse.

Algumas horas depois, porta-voz da delegação iraniana, Taleb Mahdi, informou que o Irã havia apresentado uma contraproposta de cinco pontos. Embora tenha dito que a resposta era referente ao programa nuclear e a aspectos políticos, Mahdi também não forneceu maiores detalhes.

Mahdi disse que o governo iraniano espera receber uma resposta das potências durante as negociações de Bagdá, que continuarão hoje. Ainda de acordo com ele, Ashton e a delegação chinesa pediram para realizar encontros bilaterais com Teerã.

"Nossas propostas têm como base o Tratado de Não Proliferação e o princípio da reciprocidade aceito em Istambul", disse Mahdi, fazendo referência à reunião realizada na Turquia, em abril, a primeira em 15 meses, que abriu o caminho para o encontro de Bagdá.

Discordâncias. Em linhas gerais, o Irã deseja a suspensão de sanções internacionais, que têm afetado a economia do país, enquanto as seis potências esperam obter concessões sobre o enriquecimento de urânio e o programa nuclear iraniano.

O Irã argumenta que tem direito de enriquecer urânio para fins pacíficos, de acordo com as leis internacionais, e garante que seu programa nuclear tem como objetivo apenas a produção de energia e o uso em tratamentos médicos.

Em uma negociação à parte, na terça-feira, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukiya Amano, disse que está próximo de um acordo com o governo do Irã para esclarecer as dúvidas sobre o programa nuclear do país.

Segundo ele, as diferenças que existem são "apenas detalhes" e não impedirão um compromisso. Entre as concessões de Teerã estaria a permissão para que inspetores da AIEA visitem a Base de Parchin, instalação militar onde supostamente estaria em operação uma câmara de testes nucleares.

Apesar do avanço, diplomatas não acreditam que as negociações em Bagdá produzam um acordo definitivo e desconfiam que o processo será longo. No entanto, o fato de um canal de diálogo ter sido aberto permite que americanos e europeus reduzam o tom das ameaças de ação militar contra o país.

Israel. Segundo o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, "com ou sem acordo" o país não descarta uma ação militar contra os iranianos. "Um Irã com armas nucleares é uma coisa intolerável", disse ontem Barak. / AP

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