Irã e potências retomam negociações sobre programa nuclear

Cúpula de fevereiro foi considerada 'um bom início'; agora a intenção é obter um acordo durável

O Estado de S. Paulo,

18 de março de 2014 | 10h14

VIENA - Os países do grupo G5+1 (EUA, Rússia, China, França, Grã-Bretanha mais a Alemanha) retomaram nesta terça-feira, 18, as negociações nucleares com o Irã, com poucas expectativas de uma solução rápida, mas com a intenção de avançar rumo a um acordo durável que ponha um fim ao conflito atômico que já dura mais de uma década.

Catherine Ashton, coordenadora do grupo G5+1, e o ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohamad Javad Zarif, dirigirão esta nova cúpula, como já fizeram há cinco semanas. Se a cúpula de fevereiro foi qualificada como "um bom início" para uma negociação que se sabe será difícil e longa, o encontro desta semana tem como objetivo manter vivos os contatos e dar novos passos, conforme reconhecem as duas partes.

A exigência iraniana de manter seu programa de enriquecimento de urânio, um combustível de uso militar e civil, é um dos aspectos mais polêmicos da negociação. Enquanto Teerã insiste que esse é um ponto não negociável e está disposto a demonstrar que seu programa nuclear é pacífico, os EUA e seus aliados afirmam aceitar que o país continue enriquecendo urânio, mas de forma limitada.

Apesar de não ter sido divulgada uma agenda do encontro desta semana, espera-se que o formato da cúpula inclua tanto reuniões plenárias com as seis potências como contatos bilaterais. As conversas entre os países encerraram anos de bloqueio.

Nesses anos, Teerã se mostrou reticente a colaborar. Nações Unidas, União Europeia e EUA responderam com sanções que acabaram prejudicando a economia iraniana, muito dependente das exportações de petróleo.

Desde 2002, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) tenta esclarecer se o programa atômico de Teerã é pacífico. Até agora não alcançou evidências, mas indícios que levam a crer que o programa pode ter dimensões militares, um temor partilhado por Washington, Bruxelas e, sobretudo, Israel, que se sente ameaçado pelo programa nuclear iraniano./EFE

 
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